sexta-feira, 9 de novembro de 2012
domingo, 26 de setembro de 2010
Entrevista Rodrigo Dantas T-BONE
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Entrevista Blog da Paola
1) Quais são as principais diferenças programáticas entre o PSTU e o PCB, PSOL, PT, PCdoB, PDT e PSB?
Rodrigo Dantas - PT, PCdoB, PDT e PSB compõem o governo Lula há oito anos. Estes partidos não têm mais programa nem ideologia: são partidos eleitorais, e como os demais partidos burgueses, têm suas campanhas eleitorais milionárias financiadas pelos bancos e grandes empresas para administrar o Estado de acordo com seus interesses e lotear cargos, recursos públicos, posições de poder e vantagens materiais de todos os tipós para formar sua base de apoio.
O PSOL, embora não esteja no governo, também é um partido essencialmente eleitoral e parlamentar. Nascido de uma dissidência do PT, seu programa – apenas nominalmente socialista – é o mesmo do PT nos anos 1990: o programa “democrático popular“, que se nutre da ilusão perigosa e falaciosa de que os graves problemas estruturais que são determinados pelo capitalismo poderão ser resolvidos por meio de reformas dentro do próprio capitalismo. O PCB, diferentemente de nós, é um resíduo do que restou dos grandes partidos stalinistas ligados à burocracia estatal e contra-revolucionária da União Soviética.
O PSTU é um partido socialista, que atua cotidianamente nas lutas e nas organizações dos trabalhadores e da juventude. Nosso objetivo é que os trabalhadores organizados governem sem os patrões. Nossa estratégia é construir, nas lutas e ações diretas da classe trabalhadora e da juventude, as condições políticas, ideológicas e culturais que conduzam à revolução socialista mundial e a transição da barbárie capitalista para uma sociedade livre e emancipada, em que a riqueza produzida por nosso trabalho possa ser democraticamente socializada e usufruída por todos aqueles que de fato a produzem. O grande desenvolvimento material científico e tecnológico da humanidade permite que possamos viver cada vez mais e trabalhar cada vez menos, em paz e com conforto, com nossos direitos e necessidades atendidas, sem destruir o meio-ambiente; mas para isso, teremos de construir uma nova sociedade, uma sociedade socialista.
2) Gostaria de saber como o senhor pretende conquistar votos junto a comunidade evangélica, sendo que uma das bandeiras do PSTU é o fim do estado de Isreal, coisa que os evangélicos são totalmente contra, por princípios bíblicos?
(Pergunta do leitor Samuel Macedo)
Dantas - Os EUA ocupam militarmente o Oriente Médio, têm bases militares em diversos países da região e sustentam uma série de ditaduras fantoches que representam seus interesses imperialistas no sub-continente que tem as maiores reservas petrolíferas do planeta. Israel é uma base de apoio da política imperialista e belicista dos EUA na região. A opressão brutal do povo palestino pelo Estado de Israel é inaceitável. Somos contra o imperialismo e sua política de guerras, ditaduras e opressão em nome dos interesses dos grandes conglomerados econômicos que dominam o mercado mundial – e também somos contra o Estado de Israel e sua política imperialista e genocida contra o povo palestino e o mundo arábe em geral.
3) Como candidato ao GDF, por que o senhor concentra o corpo-a-corpo de campanha em universidades e sindicatos? E com o partido praticamente restrito ao Plano Piloto e com poucos quadros, como governará o DF se eleito for? Fará uma coalizão?
(Pergunta dos leitores Cristiano Barbosa e Gustavo Chauvet)
Dantas - Nossa campanha eleitoral não é financiada pelos bancos e grandes empresas, mas pelos recursos que conseguimos levantar junto aos trabalhadores que nos apoiam. Porque não fazemos da política um balcão de negócios, não compramos votos nem temos cabos eleitorais pagos. As campanhas milionárias que estão por aí cobrarão seu preço aos trabalhadores na forma da corrupção e da privatização do Estado. Nossa campanha é feita por nossos próprios militantes e se concentra, antes de tudo, nos locais onde militamos cotidianamente e temos trabalhos políticos e sindicais. Num governo do PSTU no DF, teremos a contribuição dos melhores quadros da intelectualidade brasileira e mundial. Não formaremos coalizões com partidos burgueses nem negociaremos apoio parlamentar no balcão de negócios que é a política burguesa. Um governo do PSTU não será uma flor nascida do asfalto, mas o resultado histórico de um grande processo de mobilização e organização popular. Nosso governo será o governo dos trabalhadores. Governaremos apoiados nos trabalhadores organizados e deles virá a força material necessária para construir um novo Estado e uma nova sociedade.
4) Quais suas propostas para a Segurança do DF?
(Pergunta do leitor Gustavo Chauvet)
Dantas - A principal causa da violência urbana no DF e no Brasil é o desemprego, que afeta sobretudo a juventude e a população pauperizada da periferia dos grandes centros urbanos. No DF, o desemprego atinge cerca de 15% das pessoas! Ali onde não há perspectivas de trabalho e de vida digna, a violência se dissemina e se torna para milhares de pessoas seu único meio de vida. Não há como resolver este problema com mecanismos repressivos. Violência não se resolve com violência. A violência, antes de ser uma questão de polícia, é uma questão social, e assim deve ser tratada. Para isso, investiremos pesadamente na educação pública de qualidade em tempo integral e implantaremos um grande plano de obras públicas para a construção de moradias populares, escolas e hospitais, que propiciará trabalho e salário digno para milhares de pessoas. Outra medida importante é a desmilitarização da polícia e a construção de uma polícia civil unificada, que tenha seus chefes eleitos e controlados pela população nos bairros e comunidades em que ela atuar.
5) Qual sua proposta para inclusão digital? O senhor pretende manter bons programas como o DF Digital?
(Pergunta do leitor Tiago Reis)
Dantas - O conhecimento é um patrimônio de toda a humanidade e deve estar ao alcance e a serviço de todos. Todos os lares do DF devem ter computadores ligados à Internet. Para atingir este objetivo, o BRB deve abrir linhas de crédito com juros a 1% para que a população que recebe até três salários minímos possa comprar computadores com preços populares, subsidiados pelo Estado, com acesso à Internet.
6) Como o senhor pretende resolver os problemas da Saúde no Distrito Federal, caso eleito?
(Pergunta da leitora Ana Carolina Maia)
Dantas - Os governos de Roriz, Cristovam e Arruda levaram a saúde no DF a um estado de calamidade pública! Mais da metade do orçamento da saúde do GDF – o maior orçamento por pessoa do país – é gasto em repasses super-faturados para empresas e fundações privadas e esquemas de terceização e corrupção. Faltam médicos, medicamentos, equipamentos, hospitais e postos de saúde, mas sobra privatização e corrupção para todo lado. Para resolver essa situação, depois de uma ampla auditoria no sistema, implantaremos um modelo de saúde pública integrada, baseado na universalização do atendimento preventivo das famílias em suas casas e numa rede de hospitais e postos de saúde bem equipados em todas as cidades do DF, com funcionamento 24 horas. Acabaremos com todas as formas de privatização da saúde. Aumentaremos os salários dos médicos e profissionais da saúde, diminuiremos a jornada de trabalho, implementaremos um plano de carreira discutido com a categoria que valorize sua qualificação e abriremos concursos públicos para a contratação de profissionais da área. O direito à vida deve estar acima de todas as coisas. No governo do PSTU, a saúde pública será nossa principal prioridade orçamentária.
7) Quais são as propostas para o Entorno do DF?
(Pergunta do leitor Gustavo Chauvet)
Dantas - Lutaremos para que o Entorno passe a fazer parte do Distrito Federal, ao qual está ligada de fato. Ligaremos as cidades do Entorno ao DF com a construção imediata de três grandes eixos de metrô: Águas Lindas-Brasília, Valparaíso-Brasília e Formosa-Brasília. Desenvolveremos um amplo programa de obras públicas para a construção de moradias populares, de hospitais e postos de saúde equipados em todas as cidades do Entorno, escolas e centros de cultura, esporte e lazer.
8 ) Como o senhor acredita ser possível melhorar o sistema viário do Distrito Federal, os engarrafamentos e o transporte público?
(Pergunta do leitor Erivaldo Pereira)
Dantas - O DF tem o maior orçamento per capita do país e o pior e o mais caro sistema de transporte. Para reverter este quadro, só há um caminho: estatizar as empresas de transporte público. O direito de ir e vir de milhões de pessoas não pode mais estar a serviço do lucro de meia dúzia de empresários. Roriz e Agnelo/Filipelli não podem fazer isso porque suas candidaturas estão a serviço dos empresários que as financiam. Só assim será possível reduzir e congelar as passagens ao preço de custo, estender o direito ao passe livre universal para estudantes, idosos e desempregados e adaptar o transporte aos idosos e portadores de necessidades especiais. Aumentaremos os salários, melhoraremos as condições de trabalho e diminuiremos a jornada dos profissionais do transporte público. Implantaremos um modelo integrado de transporte público que funcione 24 horas e priorize e expanda o metrô 100% estatal para todo o DF e Entorno, com a construção imediata de três grandes eixos: Águas Lindas-Brasília, Valparaíso-Brasília e Formosa-Brasília. Construiremos ciclovias em todas as cidades do DF. Não há como resolver o problema dos engarrafamentos sem construir um sistema de transporte público que assegure o direito de ir e vir a todas as pessoas na cidade.
domingo, 1 de agosto de 2010
Entrevista Rodrigo Dantas ao Jornal Tribuna do Brasil
1 – Saúde: Quais seriam as soluções imediatas para problemas como a falta de medicamentos, leitos médicos, equipamentos para diagnóstico e qualificação profissional dos servidores que atuam nos hospitais da rede pública?
Os governos de Roriz, Cristovam e Arruda levaram a saúde no DF a um estado de calamidade pública! Faltam médicos, medicamentos, equipamentos, hospitais e postos de saúde, mas sobra corrupção para todo lado! Para resolver essa situação, implantaremos um modelo de saúde pública integrada, baseado na universalização do atendimento preventivo das famílias em suas casas e numa rede de hospitais e postos de saúde bem equipados em todas as cidades do DF, com funcionamento 24 hs. Acabaremos com todas as formas de privatização da saúde. Aumentaremos os salários dos médicos e profissionais da saúde, diminuiremos a jornada de trabalho, implementaremos um plano de carreira discutido com a categoria que valorize sua qualificação e abriremos concursos públicos para a contratação de profissionais da área. O direito à vida deve estar acima de todas as coisas. No governo do PSTU, a saúde pública será nossa principal prioridade orçamentária.
2 – Educação: Quais seriam as soluções imediatas propostas pelo senhor para aumentar a oferta de vagas na rede pública de ensino, melhorar a qualidade do ensino e reverter o péssimo estado de conservação das escolas públicas?
Nosso objetivo é implementar o acesso universal à educação pública de qualidade em turno integral, com 25 estudantes por sala de aula. Para isso, construiremos, reformaremos e ampliaremos as escolas, dotando-as de laboratórios, bibliotecas, computadores, acesso à Internet e parque esportivo. Cada escola pública do DF deve se transformar num centro de lazer, cultura e esporte para a comunidade nos finais de semana. Aumentaremos os salários dos profissionais da educação, que terão isonomia com os profissionais da saúde e da segurança, implantaremos um plano de carreira debatido com a categoria que de fato valorize sua qualificação, reduziremos a jornada de trabalho em sala de aula e abriremos concursos públicos para a contratação imediata de profissionais da educação. O DF tem hoje o maior orçamento per capita do país. Feita uma ampla auditoria nas contas, contratos, convênios, obras e órgãos do GDF e devidamente punida e extirpada a corrupção institucionalizada, haverá recursos suficientes para fazer da escola pública do DF um modelo para todo o país.
3 – Transporte: Qual seria a solução mais adequada para melhorar a qualidade do transporte público sem aumentar o valor da tarifa e atender a toda população que vem do Entorno do DF para trabalhar no centro de Brasília?
O DF tem o maior orçamento per capita do país e o pior e o mais caro sistema de transporte. Para reverter este quadro, só há um caminho: estatizar as empresas de transporte público. O direito de ir e vir de milhões de pessoas não pode mais estar a serviço do lucro de meia dúzia de empresários. Roriz e Agnelo/Filipelli não podem fazer isso porque suas candidaturas estão a serviço dos empresários que as financiam. Só assim será possível reduzir e congelar as passagens ao preço de custo, estender o direito ao passe livre universal para estudantes, idosos e desempregados e adaptar o transporte aos idosos e portadores de necessidades especiais. Implantaremos um modelo integrado de transporte público que priorize e expanda o metrô 100% estatal para todo o DF e Entorno, com a construção imediata de três grandes eixos: Águas Lindas-Brasília, Valparaíso-Brasília e Formosa-Brasília. Aumentaremos os salários, melhoraremos as condições de trabalho e diminuiremos a jornada dos profissionais do transporte público. Construiremos ciclovias em todas as cidades do DF.
4 - Segurança: O que poderia ser feito para melhorar a qualificação dos agentes de segurança pública e o atendimento às ocorrências, proporcionando mais agilidade e rapidez?
A principal causa da violência urbana no DF e no Brasil é o desemprego, que afeta sobretudo a juventude e a população pauperizada da periferia dos grandes centros urbanos. No DF, o desemprego atinge cerca de 20% das pessoas! Ali onde não há perspectivas de trabalho e de vida digna, a violência se dissemina e se torna para milhares de pessoas seu único meio de vida. Não há como resolver este problema com mecanismos repressivos. Implantaremos um grande plano de obras públicas para a construção de milhares de moradias populares, escolas e hospitais, que propiciará trabalho e salário digno para milhares de pessoas. A violência, antes de ser uma questão de polícia, é uma questão social e assim deve ser tratada. Outra medida importante é a desmilitarização da polícia, além disso a dissolução das policias atuais violentas e corruptas. Defendemos uma polícia civil que tenha seus chefes eleitos e controlados pela população no bairro em que atuar.
5- Qual será o seu grande projeto para Brasília?
Construir, pela primeira vez em nossa cidade, um governo socialista que esteja dirigido ao atendimento dos direitos e necessidades da classe trabalhadora e da juventude – e não a serviço do lucro dos empresários e da corrupção.
6 – Qual o lugar que o senhor mais gosta em Brasília (lugar específico)?
O Lago Paranoá. Queremos fazer da orla do Lago Paranoá um grande espaço de lazer, cultura e esporte para toda a população do DF
domingo, 4 de julho de 2010
Entrevista com Professor Rodrigo Dantas – Candidato a Governador pelo PSTU
Entrevista concedida ao jornal Campus Online – jornal laboratório dos estudantes de Comunicação da UnB
- O senhor já foi candidato a senador federal, agora a governador.
- O senhor sente uma responsabilidade maior dessa vez?
Sim. Trata-se de defender o programa socialista diante de toda a população da capital do país.
- Como foi o processo para sua indicação?
Após debater, o PSTU decidiu por unanimidade pela chapa que apresentaremos nestas eleições.
- O senhor se coloca como um real candidato ou um anticandidato ao governo do Distrito Federal?
- Não sou anti-candidato. Com o pouco espaço de mídia que teremos, imposto pela polarização entre as duas candidaturas que a burguesia desta cidade já autorizou a que continuem a governar em seu nome, defenderemos que os que produzem toda a riqueza – os trabalhadores, que são a imensa maioria – possam governar, sem aliança com os patrões.
- Não sou anti-candidato. Com o pouco espaço de mídia que teremos, imposto pela polarização entre as duas candidaturas que a burguesia desta cidade já autorizou a que continuem a governar em seu nome, defenderemos que os que produzem toda a riqueza – os trabalhadores, que são a imensa maioria – possam governar, sem aliança com os patrões.
- O PSTU não se coligou com nenhum partido.
- Como o senhor enxerga isso?
- Nosso objetivo não é ocupar espaços de poder na estrutura corrupta e corruptora do Estado burguês. Não fazemos coligações sem princípios com o objetivo de chegar ao poder, e lá instalado, lotear cargos, recursos e favores de todo tipo para montar uma base de apoio como quem monta um balcão de negócios.
- Horário eleitoral gratuito, o pouco tempo de exposição para apresentar suas propostas não é um problema?
- Evidentemente. Vivemos numa sociedade baseada em relações de força, poder, dominação e exploração, em que a desigualdade é a regra. Como tudo o mais, a lei eleitoral é feita para conservar e reproduzir a desigualdade, zelando pelos poderes e privilégios de uma minoria que enriquece pela exploração do trabalho alheio.
- Por que a coligação Frente de Esquerda (PSTU, PCB e PSOL) não se repetiu nestas eleições?
- O PSTU fez um chamado à Frente de Esquerda em 2009, com base num programa socialista, sem alianças com partidos burgueses e sem financiamento privado. Não houve acordo. O PSOL, após ver frustrado seu projeto eleitoral de aliar-se à candidatura burguesa de Marina, aprovou programa semelhante ao defendido pelo PT em sua trajetória rumo ao poder.
- Em 2006 essa frente teve 4,25% dos votos válidos com Toninho para governador e o senhor recebeu 10.974 votos (0,89% dos votos válidos), como o senhor espera ampliar o seu eleitorado?
- Diante da polarização que se pretende impor entre Roriz e PT/PMDB, e da maior crise de corrupção da história do DF, penso que as pessoas podem estar buscando alternativas que sejam capazes de virar esta página podre de nossa história.
- Como romper a polarização entre Roriz e PT?
- Com Roriz ou com Agnelo/Filipelli, os mesmos que governaram o DF nos últimos 20 anos seguirão no poder. O resultado veio à tona com a operação Caixa de Pandora. Cabe à população decidir se continuará a ser governada pelos mesmos interesses e métodos, ou se chegou a hora de votar para que os trabalhadores governem.
- Como o senhor enxerga isso?
- Recentemente o senhor liderou, num ato violento, conjuntamente com alunos da UnB, a invasão da Câmara Legislativa. O eleitor espera esse tipo de atitude do seu governante? O político não deve resolver os conflitos pelo diálogo em vez de usar a força? A ocupação da Câmara Legislativa e a luta protagonizada pelo movimento Fora Arruda-PO e toda a máfia contaram com amplo apoio popular. Ocupações são métodos de luta de que os trabalhadores e a juventude lançam mão quando não há espaço para o diálogo – e costumam ser bem sucedidas quando tem apoio popular.
- Como seria sua relação com a Câmara Legislativa num eventual governo? É possível governar sem alianças? Se a população votar em massa nos candidatos do PSTU, isso significa que é chegada a hora de que os trabalhadores organizados governem por si e para si mesmos, sem alianças com a burguesia e seus representantes políticos.
- Como o senhor pretende, se eleito, recuperar a credibilidade dos brasilienses em relação à política do DF? Da forma como o regime político está estruturado, as grandes empresas, com apoio dos meios de comunicação, financiam e elegem seus candidatos para que eles defendam seus interesses. O resultado é a corrupção institucionalizada. Uma nova política só pode surgir do processo de organização consciente dos trabalhadores e da juventude.
- Como o senhor vai acabar com a corrupção no DF? Prisão, cassação, exoneração e expropriação dos bens de todos os corruptos e corruptores. Ampla auditoria e fiscalização popular de todas as contas, contratos, convênios, obras, atos e estruturas do GDF.
- Qual o principal ponto da sua plataforma eleitoral? Como pretende implementá-lo? Nenhum centavo a mais do Estado para enriquecer empresários e políticos-empresários corruptos. Cada centavo de nossos impostos será aplicado em saúde, educação, transporte, moradia, saneamento, salários, emprego, arte, cultura, lazer e todos os direitos e necessidades da classe trabalhadora e da juventude.
- O senhor fala em conselhos comunitários.
- O que são? São organismos do poder popular, eleitos nos bairros e comunidades, que decidirão onde e como aplicar os recursos públicos para atender as necessidades da população e fiscalizarão sua aplicação.
- De maneira prática, como eles funcionariam e como seriam implementados? Funcionariam como funcionam as assembléias da classe trabalhadora e da juventude e elegeriam secretarias executivas para implementar suas decisões.
- Eles acarretariam numa diluição do poder do Estado? O Estado existe como um poder separado e acima da sociedade.
Os conselhos populares são organismos que fazem parte da história de luta da classe trabalhadora e seu objetivo é construir uma estrutura de poder que emane diretamente do seio da classe trabalhadora.
- O senhor é um defensor da greve como instrumento de luta dos trabalhadores.
- Como o senhor lidaria com uma greve num eventual governo? Uma das primeiras medidas de nosso governo seria aumentar os salários dos servidores e fazer com que o piso seja o salário mínimo do DIEESE (R$ 2.140,00). Nosso objetivo é governar com os trabalhadores e para os trabalhadores.
- Qual a diferença entre incentivar a greve e estar do outro lado como governo, tendo de controlá-la? Nosso governo apoiará ativamente todas as greves e todas as lutas da classe trabalhadora. Se ainda assim tivermos de lidar com alguma greve na condição de governo, tomaremos todas as medidas para que as reivindicações dos trabalhadores sejam atendidas.
- Em entrevista ao Cacom, em 13 de setembro de 2006, o senhor disse que sua candidatura ao senado se deveu a pedidos dos seus companheiros de partido (PSOL), isso é verdade? Na atual eleição, você se candidatou novamente a pedidos? Num partido socialista as candidaturas não nascem de desejos e ambições pessoais. Qualquer candidatura do PSTU nasce de uma decisão democrática tomada pelo partido, e cabe ao militante a que foi designada esta tarefa cumpri-la da melhor forma.
- Na mesma entrevista, o senhor afirmou, "Eu me sinto pouco à vontade na condição de candidato porque eu detesto ser confundido com político, me dá uma náusea profunda". Isso não é uma contradição com a sua postura em concorrer a cargos como senador e, agora , a governador do Distrito Federal? De fato, é desagradável ser confundido com a figua do político profissional, que no imaginário popular geralmente é representado como a figura do ladrão de terno e gravata. Sou um professor de filosofia e um militante socialista – e não um político profissional sedento por dinheiro e poder.
- Ainda nessa entrevista, o senhor chegou a afirmar que desistiu do curso de Comunicação Social porque
"Como jornalista, seria um escravo da propriedade privada dos meios de comunicação. Preferi a liberdade de ser professor". Ser político oferece liberdade? Como professor e militante socialista, prezo a liberdade acima de tudo e dedico minha vida à luta pela liberdade. Não a liberdade que se baseia no poder de poucos para impor seus privilégios sobre a grande maioria, mas a liberdade que se constrói a partir do reconhecimento do direito à vida e à necessária igualdade entre todos.
- Você é um dos fundadores do PSOL. Por que mudou para um partido de menor expressão? O PSOL tem expressão eleitoral maior que o PSTU. Mas o PSTU é um partido mais enraizado nas organizações dos trabalhadores – o que ficou evidente no Congressso da Classe Trabalhadora, em que houve maioria de dois terços votando nas posições defendidas pelo PSTU. Isso levou a que correntes do PSOL se retirassem do Congresso. Esperamos que reconsiderem esta atitude e se reincorporem à nova central sindical, popular e estudantil que estamos construindo.
- Sua candidatura a governador dá publicidade ao seu nome. Você tem interesse em ser reitor da UnB, no futuro? Ser reitor impõe uma série de limitações e constrangimentos jurídicos, políticos e econômicos. Só aceitaria um cargo como esse num contexto em que a universidade e a sociedade estivessem protagonizando grandes processos revolucionários de transformações estruturais na vida social.
- Segundo o senhor, o PT e o PSOL se corromperam. O poder corrompe? O PSTU não pode também eventualmente ser corrompido pelo poder? Não penso que o PSOL tenha se corrompido, mas que seu programa, suas práticas e sua forma organizativa, centradas no processo eleitoral, são muito semelhantes às do PT e devem conduzir este partido a uma trajetória de adaptação à sociedade que pretendem transformar. O PSTU não é um partido eleitoral, mas uma organização internacional de socialistas que atua nas lutas e organizações da classe trabalhadora e tem como objetivo criar as condições para a revolução socialista.