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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Rodoviários arrancam 20% de aumento salarial em Brasília

Os Rodoviários do DF conseguiram uma vitória importante. Depois do sindicato falar que não teria data-base, os trabalhadores foram a luta e arrancaram uma assembleia no domingo passado. Reivindicavam 20% no salário, 20% no vale alimentação e 40% na cesta básica. A patronal e o governo cederam, um dia antes de começar a greve, tudo o que foi reivindicado. Parabéns aos rodoviários pela conquista, graças a luta da base e da oposição, que atropelarem a CUT. 

Fora vários dias de batalha. A oposição chegou a chamar uma reunião sem o sindicato no dia 18 de maio. Depois disto, o sindicato, mudou sua política. Antes eles diziam que esse ano não tem aumento porque “já está bom demais manter o emprego”. Depois foram obrigados a chamar assembleia e até a ameaçar greve.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

CSP-Conlutas/DF convida para debate sobre "novos ataques aos direitos trabalhistas"

O PSTU Brasília convida o todos e todos a participar:

A CSP-Conlutas do Distrito Federal realizará no dia 22 de novembro em Brasília um debate sobre "ACE, Lei de greve para o funcionalismo público e reforma da previdência: Novos Ataques aos Direitos Trabalhistas",

A atividade dá a largada em Brasília à campanha nacional contra o projeto de lei que cria o Acordo Coletivo Especial-ACE e outras iniciativas de novos ataques aos direitos dos trabalhadores, como nova proposta de reforma da previdência e a lei de greve para o funcionalsimo público.

Dia 28 de novembro haverá um ato nacional com o ACE, às 9h no auditório Petrônio Portela no Senado Federal.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

12 anos sem Gildo Rocha


No último dia 06 de outubro completou doze anos do assassinato de militante do PSTU do Distrito Federal. Assassinos confessos de Gildo Rocha continuam impunes.

No dia 6 de outubro de 2000, o militante do PSTU e dirigente do Sindicato dos Servidores do Distrito Federal (Sindiser), Gildo da Silva Rocha, foi covardemente assassinado por policiais civis com um tiro pelas costas. O “crime” de Gildo foi organizar a greve dos trabalhadores do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), na Ceilândia, cidade-satélite de Brasília. Num país em que o direito de greve é tratado com repressão, o crime do sindicalista foi punido com execução sumária por policiais da 15ª Delegacia da cidade.

O assassinato e a impunidade
Gildo foi morto na madrugada de 6 de outubro de 2000, durante atividade de greve contra a terceirização e por condições de trabalho. Naquele ano, o então governador Joaquim Roriz havia dado ordem de reprimir violentamente a greve dos trabalhadores da limpeza urbana (SLU), caso viesse a acontecer. Gildo Rocha, um dos líderes, saiu de casa de madrugada, no dia 6 de outubro, acompanhado de amigos, também do SLU, para uma atividade votada na assembléia: furar sacos de lixos para impedir a ação dos fura-greves. Dois policiais civis, armados e à paisana, abordaram o grupo, e na tentativa de fugir, 17 disparos foram efetivados contra o carro de Gildo. Dois tiros acertaram o porta-malas, oito ricochetearam e um atingiu Gildo nas costas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

É hora de derrotar a direita timotista. Voto crítico na Márcia no segundo turno, mas nenhum apoio ao seu projeto politico.



As eleições para reitor da UnB chegam ao segundo turno, depois de um primeiro turno muito prejudicado pelo esvaziamento da universidade e em um cenário político conturbado, marcado por manobras escusas e antidemocráticas da diretoria da ADUnB que acabou dando fim a greve docente na UnB.

No primeiro turno das eleições, a chapa 88, encabeçada por Sadi Dal Rosso e Maria Lúcia Leal (Baiana), foi a única a apresentar um projeto político para a UnB capaz de resolver os problemas das condições de ensino e trabalho cada vez mais precárias. A chapa 88 também foi a única que apresentou um projeto coerente para colocar a UnB a serviço dos trabalhadores e dos movimentos sociais e como instrumento de transformação social e política da realidade brasileira.

No segundo turno concorrerá a chapa 80, de Márcia Abrahão, e a chapa 86, de Ivan Camargo. A chapa de Ivan Camargo, ex-decano de graduação da gestão Lauro/Timothy, vencedora do primeiro turno, representa o setor mais conservador e reacionário da UnB, que por quase 20 anos esteve a frente da reitoria. As gestões desse grupo, conhecido como timotistas (referência ao ex-reitor Timothy Mulholand, derrubado pela ocupação da reitoria de 2008), ficaram marcadas pelo aprofundamento da privatização da UnB, pela proliferação de cursos pagos, pela tentativa de privatizar o RU, pela truculência, pela falta de democracia e diálogo e pelos inúmeros escândalos de corrupção. Foi nas gestões do grupo timotista que as fundações privadas ganharam força, passando a determinar o funcionamento da universidade segundo os interesses comerciais e o acúmulo de privilégios de um grupo de professores e servidores da UnB.

sábado, 2 de junho de 2012

Ser Livre é Coisa de Vadia? Então Somos Todas Vadias!

PARA ACABAR COM A OPRESSÃO E COM A EXPLORAÇÃO DAS MULHERES!

No último sábado, dia 26 de Maio, foi realizada em diversas cidades do País, a 2° edição da Marcha das Vadias. Com o objetivo de denunciar a violência sofrida pelas mulheres, a Marcha tem origem no “SlutWalk”, um protesto mundial que teve início no Canadá, após um policial declarar que, para evitar estupros, as mulheres deveriam deixar de se vestir como “vadias”.
Em Brasília, aproximadamente 2.000 pessoas, entre elas, mulheres, homens, gays, lésbicas e crianças, participaram da Marcha. Com muita irreverência e animação as manifestantes denunciaram a violência e a opressão machista que sofrem no dia a dia, e entoaram em uma só voz o grito de liberdade. Palavras de Ordem como “Te cuida, te cuida, te cuida seu machista, a América Latina vai ser toda feminista!” e “O corpo é meu, a cidade é nossa!” deram o tom da Marcha e demonstraram a disposição de todas as mulheres em combater o machismo.

Não diga à elas o que vestir! Diga a eles para não estuprar! A Situação da metade da classe trabalhadora!
Os dilemas da sexualidade, os padrões de estéticas, a violência dentro e fora de casa, a opressão no trabalho, estão fazendo com que cada vez mais mulheres despertem para as lutas em busca de direitos, respeito e liberdade. Sabemos da importância das tarefas de libertação das mulheres, mas temos que dar ênfase, também, ao papel de exploradas que muitas cumprem na sociedade capitalista. O capitalismo se utiliza da opressão para aumentar a exploração da mulher.
Os dados do PNAD (IBGE), publicados em setembro de 2010, demonstram bem a situação de exploração das mulheres na sociedade. Segundo os dados, elas representam 46% do mercado de trabalho, são a maioria dos empregados da informalidade, representam mais da metade (53%) daqueles que ganham até um salário-mínimo e estão entre os mais pobres, representando 70% deste grupo. Além disso, têm remuneração média de até 30% a menos que os homens para exercerem os mesmos cargos, chegando a ganhar até 57% menos em algumas cidades do País.

As mulheres trabalhadoras, dos bairros pobres, são as que mais sofrem com a violência sexual e com a criminalidade, pois a violência urbana assola cada vez mais a periferia das cidades. Também são elas as que mais sofrem com a violência doméstica, pois, muitas vezes dependem economicamente do seu companheiro.

Por isso, avaliamos que a situação da mulher na sociedade é produto de fenômenos econômicos e estruturais. Acreditamos que a luta contra o machismo não obedece apenas a fatores culturais, mas tem implicação e fundamento nas estruturas econômicas sociais que cimenta a opressão e a exploração capitalista.

E com Dilma a situação não mudou!
Com Dilma na presidência da república a situação das 97 milhões de mulheres brasileiras não mudou! Antes de Dilma ser eleita a 1º presidenta do país morriam 10 mulheres a cada dia, depois com Dilma no poder esse número não mudou. Infelizmente também não mudou a situação das debilidades de aplicação da lei Maria da Penha. No país são feitos mais de 1 milhão de abortos por ano. Dentre eles cerca de 150 mil mulheres morrem ou ficam com sequelas. Para essa realidade o governo oferece a criminalização. Para dar consequência a “Carta ao Povo de Deus” – editada no período de campanha da atual presidenta, foi editada a MP 557/2011 que prevê como solução a doação de R$ 50 para as mulheres grávidas poderem se deslocar no dia do parto. O que o governo deveria fazer era deixar de dar dinheiro para os banqueiros e investir na construção de bons hospitais nas periferias e descriminalizar o aborto, garantindo contraceptivos para não abortar, e aborto legal e seguro para não morrer.

Mulheres, levantem suas bandeiras!
Lamentamos o fato ocorrido na Marcha das Vadias de Brasília, em que um grupo que se diz da direção da Marcha, deliberou, arbitrariamente, por proibir a utilização de bandeiras, fossem elas de partidos, sindicatos, movimentos sociais e coletivos. Tamanha imaturidade, fez com que Professoras e Professores do ANDES – SN (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior), que estão em greve, travando uma luta expressiva por todo o País contra o sucateamento da Educação Superior, tivessem suas bandeiras abaixadas. Isso, porque a categoria de Professores é composta majoritariamente por mulheres que sofrem há anos com os salários defasados das universidades.

A total liberdade da mulher implica, necessariamente, no exercício de cada uma delas em expressar o que é seu de direito. Desde a escolha do que fazer com o seu corpo e da roupa que irá usar até nas escolhas das suas bandeiras políticas, tudo passa pelo seu direito de escolher o que é melhor pra si, de acordo com sua consciência.

O Machismo divide a classe trabalhadora e enfraquece sua luta contra o capitalismo. Essa opressão é responsável por afastar as mulheres dos sindicatos e dos partidos de luta. Ou seja, essa mesma opressão que subjuga e que inferioriza as mulheres é a mesma que cria obstáculos para que elas superem essa situação através da luta política.

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) luta pela incorporação das mulheres da classe trabalhadora nos sindicatos e no partido revolucionário, pois a tarefa de libertação das mulheres é uma tarefa do conjunto de nossa classe e é parte indissolúvel da luta pelo fim da exploração da sociedade capitalista.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A luta pelo serviço público da área agrária interessa a todos os brasileiros


Servidores do Incra e MDA paralisam novamente dia 28 de maio e exigem melhoria salarial e ampliação imediata do número de servidores


Almir Cezar, de Brasília (DF)



• O dia 28 de maio será marcado pela quarta paralisação conjunta convocada pela Cnasi (Confederação Nacional das Associações dos Servidores do Incra), Assinagro (Associação Nacional dos Agronômos do Incra) e Assemda. Em todos os escritórios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) os servidores dos dois órgãos vêm realizando protestos e chamando a população a apoiar sua luta em defesa de melhorias no serviço público da área agrária.

Melhorar o serviço público da área de políticas agrárias melhora também a vida de todos os brasileiros. Embora 70% dos alimentos venham de pequenos produtores, 80% das terras estão nas mãos dos latifundiários e do agronegócio. E, embora a metade dos pobres viva no campo, este abriga apenas 20% da população. Cerca de 80% dos homicídios no campo envolvem conflitos de terra e 70% dos libertos de trabalho escravo são de lavradores pobres. Se os servidores do Incra e MDA não fazem mais e melhor, é porque faltam recursos e servidores.

Os sucessivos governos investem cada vez menos e não valorizam os trabalhadores do serviço público federal. O Orçamento de 2012 para pagar os servidores é o menor dos últimos 17 anos se comparado ao que a União arrecada (4,13% do PIB). Em compensação, dá mais de R$ 60 bilhões em isenções de impostos aos industriais e paga aos banqueiros e especuladores quase metade do orçamento (47%) em juros da dívida pública. 

Ao contrário do que a mídia diz, o Brasil tem um dos menores índices de servidores por habitante. Antes do contingenciamento do governo de mais de 70% do orçamento do Incra e MDA, estavam previstos recursos ínfimos de menos de 0,25% do orçamento Federal de 2012 para despesas no desenvolvimento agrário. Enquanto isso, o agronegócio e os órgãos de política agrícola seguem tendo tratamento diferenciado pelo governo, que incentiva a produção para a exportação de commodities e aplica a falsa tese de apoio ao desenvolvimento de uma “nova classe média rural”.

Nos órgãos da área agrária a evasão de servidores é grande: são baixíssimos os salários (um dos piores do serviço público federal) e não se renova e amplia o quadro de pessoal. O Incra tem hoje metade dos servidores que há 20 anos, apesar de ter ampliado o público beneficiado. O número de famílias assentadas passou de 117 mil para aproximadamente um milhão, totalizando cerca quatro milhões de pessoas – encerrando, assim, um verdadeiro paradoxo entre um crescimento vertiginoso de serviço e uma redução drástica de meios para atendê-los de forma consequente.

Daqui a 2 anos, ainda no governo Dilma, mais da metade dos servidores estarão em condições de se aposentar, inclusive alguns por imposição legal da idade máxima (a chamada “compulsória”), e provavelmente o farão, diante das constantes e difíceis condições de trabalho e pelas ameaça de perdas de direitos previdenciários.

O MDA, passados mais de 15 de anos de sua instauração, ainda no governo FHC, nunca foi devidamente estruturado. Além de poucos servidores, conta com menos de 1/5 do quadro próprio, sendo que quase 30% já saíram após 2,5 anos do único concurso. A grande maioria da força de trabalho do órgão é composta de terceirizados, cargos comissionados e consultores. E em alguns casos os servidores ganham menos que a média salarial da iniciativa privada, e a maioria está com sobrecarga de trabalho, afetando o atendimento da população rural e pondo em risco até a legalidade dos processos. 

Luta pelo desenvolvimento agrário
Na prática, ambos os órgãos estão sendo sucateados e a política de reforma Agrária conduzida à inviabilidade. Por essa situação, os servidores dos órgãos da área agrária estão luta na defesa do desenvolvimento agrário. É uma luta pela defesa da agricultura familiar, reforma agrária, regularização fundiária e desenvolvimento rural sustentável. Sua trincheira é o serviço público, onde pretendem estruturar os dois órgãos estatais da área agrária para atender as populações pobres do campo e promover o desenvolvimento nacional e a justiça social. E entendem que para isso, é preciso lutar por melhoria salarial e por mais servidores.

O movimento dos servidores esperava que a administração do MDA se somasse à luta, se fazendo presente nas mesas de negociação com o centro do governo e fornecendo dados sobre o quantitativo de servidores necessários para estruturação do órgão. Contudo, resposta da administração segue cheia de evasivas, embora os sucessivos ministros à frente do MDA sejam, desde o início do governo Lula, de uma corrente da esquerda do PT com fortes ligações com o movimento social.

Essa omissão é criticada pelos movimentos sindicais e populares do campo, em especial o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-terra), Contag (Confederação dos Trabalhadores da Agricultura) e Fetraf-Brasil (Confederação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar) que, durante o “Grito da Terra” e o “Abril Vermelho”, manifestaram seu apoio à pauta dos servidores. Inclusive, pressionando a Casa Civil e Secretaria Geral da Presidência, conseguiram uma reunião exclusiva do Ministério do Planejamento para o movimento dos servidores, contudo, também até o momento sem resultados concretos às reivindicações. Embora se prometa resposta em nova reunião para o dia 31 de maio.

Assim, os servidores do MDA e Incra seguem em campanha. Realizaram até agora três paralisações de advertência ao governo, incorporando-se às mobilizações da campanha salarial unificada dos servidores públicos federais, encabeçada pela Condsef, Cnesf e 3 centrais sindicais, entre elas a CSP-Conlutas. Realizam de maneira combinada atos setoriais e em conjunto com o movimento geral dos SPF’s, tanto em Brasília quanto pelas capitais e grandes cidades.

No dia 4 de junho, véspera da Marcha Nacional a Brasília, convocada pelo Fórum Nacional de Entidades dos SPFs, haverá uma plenária nacional dos servidores do Incra e MDA, com delegados eleitos pelos estados, para votar novos rumos do movimento e apontar pela construção da greve geral unificada, provavelmente a partir do dia 11 de junho, em conjunto com as demais categorias do serviço público federal.

A paralisação do dia 21 de maio
Na última paralisação setorial, na segunda-feira dia 21 de maio, os servidores estiveram parados em Brasília e em todo o país. Por volta das 11h, os servidores de Brasília foram até o MDA cobrar uma reunião com o ministro para que o mesmo nos desse uma reposta ao Ofício Conjunto das entidades protocolado no início de abril.

Cerca de 60 servidores do INCRA e MDA saíram do edifício Palácio do Desenvolvimento, sede do Incra e da maioria das secretarias do MDA, apelidada pelo movimento de Palácio do “Subdesenvolvimento”, subiram o Bloco “A” da Esplanada dos Ministérios e exigiram que a reunião fosse com o ministro Pepe Vargas e não com seu chefe de gabinete, conforme estava sendo proposto pela assessoria do MDA.

Depois de muita pressão, clima tenso, o MDA concordou em receber dois representantes das entidades presentes (ASSINAGRO, CNASI, ASSERA-Brasília, ASSEMDA e SINDSEP-DF) numa reunião de 15 minutos. Registre-se que a assessoria e a chefia de gabinete do MDA classificaram o ato democrático dos servidores como uma invasão, inclusive colocando segurança armada para impedir a entrada/permanência dos servidores no 8º andar. 

Os representantes das entidades bem como o conjunto dos servidores rebateram de pronto as alegações, pois não se tratava de uma invasão, mas sim de um ato democrático de servidores da casa, devidamente identificados com crachá, e que reivindicavam reunião com o Ministro.

Durante a reunião, foi cobrada uma ação mais eficaz do MDA, haja vista a reunião marcada para o dia 31 com o no Ministério do Planejamento (MPOG). O ministro rebateu dizendo que “está fazendo seu papel na defesa dos servidores e dos demais assuntos afeitos ao MDA/INCRA”. As entidades cobraram um papel mais efetivo do MDA com o envio de Aviso Ministerial em defesa da pauta salarial dos servidores. O Ministro entendeu ser desnecessário, alegando que “papel acaba ficando engavetado no MPOG”.

As entidades deixaram claro que outros ministros assim o fizeram, inclusive citando o exemplo do Ministério da Agricultura, que levou a pauta dos servidores "debaixo do braço" e hoje as carreiras desse ministério que cuida das políticas agrícolas, e é bem visto pelo agronegócio brasileiro, encontram-se comparativamente em situação bem melhor, ganhando o dobro, e em alguns casos o triplo de um servidor do MDA e Incra com cargo, funções e escolaridade equivalente.

Além disso, foi cobrada sua participação na reunião com o MPOG. O ministro disse que vai avaliar com o MPOG a necessidade da participação de representantes do MDA e que mesmo que haja participação, a posição será a mesma do Governo, isto é, não estarão ao lado dos servidores. Após a reunião, que também ocorreu em clima tenso, restou dúvida se enviaria ou não o Aviso Ministerial. A assessoria ficou de comunicar as entidades se o Ministro irá ou não formalizar o apoio aos servidores, contudo até agora sem resposta.

Almir Cezar Filho é economista e servidor do Ministério do Desenvolvimento Agrário, diretor da ASSEMDA, coordenador da CSP-Conlutas no Distrito Federal e militante do PSTU




segunda-feira, 26 de março de 2012

Homens presos por planejar massacre na UnB ameaçaram PSTU

FRANKLIN RABELO DE MELO, DA JUVENTUDE DO PSTU-BRASÍLIA 



Na manhã da última quinta-feira, dia 22 de março, foram presos na capital paranaense Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello, administradores do site silviokoerich.org. O site recebeu cerca de 70 mil denúncias de “conteúdo abusivo” na página safernet.org, responsável por recolher reclamações de internautas relacionadas com abusos na rede. 

A página de Emerson Rodrigues e Marcelo Valle ficou famosa por incitar o ódio contra negros, judeus, homossexuais, mulheres e comunistas, além incentivar a pedofilia e o estupro corretivo a mulheres lésbicas, o que gerou repúdio e comoção dos internautas em todo o país. Os dois gabavam-se, dentre outras coisas, por terem uma suposta relação com o atirador Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre de Realengo, ocorrido em 2011 e que matou 12 crianças, de idade entre 12 e 14 anos.

Na penúltima postagem do site antes deste ser fechado, era possível ler a seguinte mensagem: “A cada dia que se passa fico mais ansioso, conto as balas, sonho com os gritos de vagabundas e esquerdistas chorando, implorando para viver. Vejo o sangue para tudo quanto é lado, manchando uma camiseta com o logotipo do PSOL/PSTU”.

A Polícia Federal tem provas que indicam que Emerson e Marcelo planejavam um massacre a estudantes da Universidade de Brasília, chegando a desenhar um mapa para a ação. Os dois contavam com apoiadores – no Twitter, sua conta possuía mais de 1.800 seguidores –, além de uma conta bancária com R$ 500.000 para financiá-los. Tudo leva a crer que Emerson e Marcelo não estão sozinhos.

Expressão de uma sociedade doente
Antes de tudo, é preciso ter claro que monstros como Emerson e Marcelo são o produto mais podre de uma sociedade doente, e o fato destes contarem com seguidores atesta que não se trata de casos isolados, mas sim de uma patologia social. A sociedade capitalista, ao reproduzir ideologias como o machismo, o racismo e a homofobia a fim de garantir a superexploração de certas camadas da classe trabalhadora, é a base para a existência de grupos neonazistas e ultrarreacionários que pregam o ódio contra as “minorias”. 

Os assassinatos de LGBT’s, o racismo disfarçado da grande mídia e a criminalização dos movimentos sociais pelos governos são elos de uma cadeia de opressão e exploração, que não começa e nem termina com o caso de Emerson e Marcelo. Muito pelo contrário. A mutilação do PLC 122 e do Estatuto da Igualdade Racial; a falta de investimentos em políticas concretas de combate ao machismo, como a Lei Maria da Penha; os ataques dos governos aos movimentos sociais, como no caso do Pinheirinho e das greves que ocorreram este ano: tudo isso contribui para que exista um sentimento de impunidade, que permite a ação de grupos e indivíduos como Emerson e Marcelo.

Omissão da justiça e da Reitoria da UnB colocaram estudantes em risco
Marcelo Valle não é um desconhecido da Universidade de Brasília. Já em 2005 incitava o ódio contra os negros nas redes sociais, criticando o sistema de cotas e afirmando que “lugar de negro não é na universidade”. Na ocasião, foi denunciado por um estudante no Ministério Público. Chegou a ser processado e condenado em 2009, mas recorreu da decisão e não chegou a passar uma noite na cadeia. Todavia, continuou ameaçando os estudantes da instituição através de telefonemas e e-mails. Luiza Oliveira, estudante de Ciências Sociais e ex-militante do PSTU, foi ameaçada dentre outras coisas de estupro corretivo. “Ele ameaçou me estuprar, me xingou. Guardei todas as postagens dele impressas” , afirma Luiza.

Por outro lado, o clima de insegurança dentro da UnB reforça o medo de estudantes, professores e funcionários. O campus Darcy Ribeiro, que é o maior entre os quatro campi da universidade, é muito mal iluminado, tem poucas linhas de ônibus – o que obriga os estudantes a andarem a pé até a via mais próxima, que fica a centenas de metros – além de não contar com um contingente de seguranças apropriado. Os poucos seguranças da universidade são patrimoniais, ou seja, são treinados para defender o patrimônio material da universidade, e não a vida das pessoas. Todo semestre ocorre pelo menos um estupro nas imediações do campus Darcy Ribeiro, e a presença da polícia militar na área não diminui o número de ocorrências.

Como se não bastasse, recentemente a Reitoria da UnB anunciou uma demissão em massa de trabalhadores terceirizados, afirmando que graças à expansão via Reuni a universidade estava sendo subfinanciada, e que era preciso “cortar gastos” demitindo esses trabalhadores. A Reitoria ignora os lucros exorbitantes das empresas terceirizadas, e ao invés de propor a redução desses lucros prefere mandar centenas de pais e mães de família para a rua. Entre os terceirizados, os porteiros serão as maiores vítimas das demissões. Em outras palavras: em um momento crítico de insegurança na UnB, é anunciada pela Reitoria a demissão de trabalhadores responsáveis pela segurança do campus.

Um militante do PSTU, que é trabalhador terceirizado, convive diariamente com ameaças de todos os tipos, como resposta a seu papel na organização e liderança da categoria. “Já fui agredido fisicamente e inclusive ameaçado de morte. A Reitoria tem conhecimento da situação, mas até agora não fez nada”, diz Francisco.

Combater as opressões, garantir a segurança da comunidade universitária!
O PSTU é um partido reconhecido nacionalmente pela luta contra toda forma de opressão, seja ela de gênero, raça, etnia, orientação sexual ou de classe. Orgulhamo-nos de levantarmos bem alto a bandeira de todos os oprimidos pela construção de uma sociedade igualitária, apesar de vivermos em uma época de clara degeneração moral. Não é a toa que todos os inimigos da classe trabalhadora e dos setores oprimidos da sociedade sempre buscam atacar nossa organização, como é o caso de Emerson Rodrigues e Marcelo Valle, que afirmaram o desejo de ver nossas camisetas “manchadas com sangue”. Longe de nos intimidarmos, continuaremos firmes na luta por um mundo livre da barbárie produzida pela sociedade capitalista, um mundo socialista.

Exigimos da Reitoria da UnB e dos poderes públicos medidas concretas de segurança para os estudantes da universidade. Seria ingenuidade pensar que Emerson Rodrigues e Marcelo Valle estão sozinhos, como atestam os comentários em seu blog e os R$ 500.000 achados em sua conta bancária. A prisão dos dois é um passo importante, mas de forma alguma garante a segurança da comunidade universitária da UnB. Exigimos a contratação de mais seguranças, maior iluminação no campus, ampliação das linhas de ônibus que passam na UnB e a não demissão dos trabalhadores da portaria.


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sábado, 17 de março de 2012

Unificar as lutas dos trabalhadores do DF para derrotar o arrocho salarial de Agnelo!

Para os trabalhadores que acreditavam que o governo Agnelo mudaria a nossa cidade e governaria para os trabalhadores, o anúncio do congelamento salarial para todos os servidores públicos do DF foi um banho de água fria. No entanto, não é novidade um governo do PT arrochando o funcionalismo público, Dilma desde o início de seu mandato vem impondo uma política de cortes nas áreas sociais e congelamento salarial. As medidas de austeridade fiscal anunciadas por Agnelo revelam que seu compromisso é com os grandes empresários, e não com os trabalhadores.

O governo do DF, nesse ano, conta com o maior orçamento de sua história, cerca de 28 bilhões. Houve aumento tanto das fontes de arrecadação própria, quanto do repasse do fundo constitucional em 13,8%. Além do mais, o DF tem o maior PIB per capita do país (R$ 50.438,56), mostrando que a falta de dinheiro não justifica a política de arrocho salarial anunciada pelo governo. Então porque o governo quer arrochar os vencimentos dos servidores?

Agnelo tenta justificar que em função da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), não pode conceder aumento para os servidores públicos, tendo em vista que essa lei limita o gasto com a folha de pagamento. O que Agnelo não explica para a população é que boa parte dos recursos com a folha de pagamento do DF é destinado a pagar os comissionados (35 milhões mensais), que já somam mais de 14 mil cargos. Agnelo anuncia um corte em 10% nos salários dos membros do alto escalão, mas não fala que há um ano atrás esses mesmos cargos tiveram um aumento de mais de 100% dos vencimentos.

Na verdade, Agnelo ataca os servidores públicos para privilegiar o loteamento do estado entre os partidos da base governista e seus apadrinhados, e também para aprofundar o processo de terceirização e privatização. Por isso o governo já anunciou que vai privatizar a gestão das 13 UPAs (unidades de pronto atendimento), ao invés de convocar os aprovados no concurso da secretaria de saúde em 2011. Agnelo também se recusa a convocar os aprovados no último concurso da secretaria de educação, enquanto as escolas sofrem com a falta de professores. Em relação aos cargos comissionados, o governo se propõe somente a mudar o regime de contratação de parte desses cargos, via terceirização.

A greve dos metroviários e o processo de repressão e criminalização às lutas sindicais
No início desse ano os metroviários protagonizaram uma luta histórica, a mais longa greve de uma categoria metroviária do país, e enfrentaram uma brutal intransigência de Agnelo. O governo, além de ter se recusado a negociar, pediu várias vezes na justiça a ilegalidade da greve e foi derrotado. Depois de perceber que a justiça do trabalho iria beneficiar os metroviários, o governo partiu para um processo de criminalização da categoria, culpando os trabalhadores pelas panes e problemas no sistema operacional do metrô. A empresa abriu dezenas de processos administrativos e abriu inquérito policial acusando os trabalhadores de sabotagem.

A greve dos metroviários revelou para todo o movimento sindical como o Agnelo vai tratar as greves e as lutas sindicais da cidade. Por isso, é fundamental que os sindicatos e as categorias cerquem de muita solidariedade todas as greves e lutas do movimento sindical e popular, ajudando os lutadores a vencer a truculência do governo. Também será fundamental para trazer vitórias as categorias, unificar as lutas do DF, fortalecendo as reivindicações e enfraquecendo a intransigência de Agnelo.

Entretanto a CUT, que deveria estar ao lado dos trabalhadores e ser um exemplo de solidariedade de classe para todas as categorias do DF, não soltou sequer uma nota de apoio aos trabalhadores do metrô, ajudando o governo a tentar jogar a população do DF contra os metroviários.

Desde já, PSTU-DF expressa sua solidariedade aos professores da rede pública de ensino, em greve desde 12 de março, que protagonizam uma luta muito importante contra a política de arrocho salarial de Agnelo. Todas as categorias do DF devem seguir o exemplo dos professores, somente a mobilização dos trabalhadores pode vencer a intransigência do governo do PT.
  • Lutar é um direito, não aceitaremos a truculência do governo!
  • Pela unificação das lutas e campanhas salarias!
  • Todo apoio a luta dos servidores públicos do DF contra o arrocho salarial de Agnelo!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Nota SINDMETRO sobre panes no sistema

Nota sobre panes causadas por suposto plano de sabotagem no Metrô/DF, vinculado em meios de comunicação em 13 de fevereiro de 2012.

Sobre as notícias veiculadas em meios de comunicação sobre panes causadas por possível plano de sabotagem no Metrô-DF, o Sindicato dos metroviários afirma que não tem nenhum envolvimento com o suposto plano de sabotagem, defende que seja feita a apuração dos fatos mencionados e repudia qualquer tentativa de vinculação do movimento de greve com as panes no sistema. O Sindmetrô/DF trabalha dentro da legalidade e postula que o exercício do direito de greve pelos trabalhadores é a manifestação máxima de sua indignação com a empresa. Os limites dessa manifestação são definidos em lei.
As panes nos sistemas de sinalização, elétrico e mecânico do Metrô/DF são causadas por ineficiência e ausência de fiscalização nos contratos de manutenção terceirizada. Estas já foram motivo de inúmeras denúncias por parte do Sindicato. As panes infelizmente ocorrem quase que diariamente, e sua existência apesar de absurdas, já são tidos como corriqueiras por quem pega o Metrô todos os dias. A direção do Metrô/DF parece tentar encontrar uma justificativa para a ineficiência dos serviços de manutenção terceirizada em um suposto “plano de sabotagem”.
A manutenção do Metrô é absurdamente ineficiente, ilegal, cara e gera inúmeros prejuízos à população. Inclusive os trabalhadores metroviários, por diversas vezes, fizeram greve para que ocorram melhorias na precária manutenção do Metrô/DF. Cabe ressaltar que a manutenção é feita por em média 300 empregados terceirizados, estes serviços custam à quantia exorbitante de 126 milhões de reais (o dobro da folha de pagamento dos 1.200 empregados da Companhia), e a permanência de empregados terceirizados na manutenção ainda descumpre decisão judicial.
Mesmo depois de proferida decisão judicial de retorno de empregados concursados nas atividades de manutenção, o Metrô/DF insiste em descumprir a decisão da 7ª Vara do Trabalho, no processo nº 419 de 2004, para manter empregados terceirizados em área fim. Insiste ainda em descumprir acordo firmado entre Empresa e Ministério Público do Trabalho quanto ao retorno de concursados nas atividades de manutenção.
Sobre o fato ter sido encontrado cabos trocados na Estação Central, declaramos que nenhum empregado concursado é autorizado a manipular cabos, essa é uma atividade exclusiva de terceirizados. E se foi realmente alterado os cabos, esse efeito se daria somente na Estação Central, não nos 42 KM da via por onde ocorrerem várias panes em vários trens. Isso nos trás outras indagações: Se o problema foi uma sabotagem e foi resolvido, por que as panes não acabam? Por que hoje foram evacuados mais 2 trens por falhas de portas e tração? Por que hoje à noite Metrô opera com apenas com 20 dos 32 trens, e os outros estão parados na manutenção? O Metrô não está mais em greve e qual é a justificativa para tamanha ineficiência?
Ressaltamos que o comando de greve do Sindmetrô/DF cumpre integralmente a decisão judicial que determina a garantia de 30% dos serviços à população no período de greve, zela pela boa prestação dos serviços, atua no sentido de promover melhores condições de trabalho aos empregados e melhorias no transporte para a população. Fato que ficou evidenciado no julgamento do dissídio de greve, em que o movimento foi julgado LEGAL e não abusivo pelos 8 desembargadores do TRT. Nenhum ato que exceda esses limites determinados pelo Poder Judiciário recebeu ou receberá qualquer apoio por parte da direção deste sindicato.
Por fim, o Sindicato dos Metroviários reitera que não tem qualquer ligação com suposto plano de sabotagem, que todo o movimento de greve foi conduzido de forma legal, que cumpriu todas as determinações judiciais. Os metroviários reivindicam que o serviço desempenhado pela manutenção terceirizada retorne a ser público e assim de qualidade, conforme decisões judiciais proferidas. Repudiamos qualquer tentativa de vinculação do movimento de greve com estes fatos e solicitamos que sejam apuradas todas as irregularidades.

Metroviários e população juntos, por um Metrô público e de qualidade!

SINDMETRÔ-DF

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

40 mil em Brasília contra a Corrupção

Espontaneidade na convocação demonstra indignação dos brasileiros

Tudo começou como um convite no facebook, para usar o “dia da independência do Brasil” para protestar contra toda a corrupção que se abate sob o governo brasileiro, o congresso nacional, e as empresas públicas. Nos dias seguintes, emails começaram a circular com o mesmo chamado, convocando a população brasiliense a vestir-se de preto e demonstrar sua indignação.
Na manhã desta quarta-feira, milhares de pessoas vestidas de preto, entre jovens, famílias com crianças, estudantes, caminhavam em direção ao Museu Nacional da República, local marcado para a concentração do ato. Enquanto isso do outro lado da rua, no lado sul da esplanada, a presidente Dilma prestigiava o desfile militar oficial em comemoração à dita "independencia do Brasil".
Por volta das 10h30 os manifestantes começaram a marchar em direção ao congresso nacional, cantando palavras de ordem como "Ô Dilma, presta atenção, o brasileiro não quer mais corrupção" e "Voto secreto não, eu quero ver a cara do ladrão". Participaram da marcha setores em greve como os técnicos administrativos das universidades, e os estudantes da ANEL, que levaram faixas com os dizeres: "Absolvição de Jaquelina Roriz: 265 votos. 10 % do PIB para a educação: zero votos!"
Mesmo com o sol forte e a baixa umidade do ar característica desta época do ano em Brasília, os manifestantes se mantiveram firmes até dar a volta por toda a esplanada e voltar. Ao final ainda, alguns fizeram uma lavagem na rampa do congresso, e outros marcharam em direção ao palácio do Buriti, sede do Governo do Distrito Federal.
Entre os manifestantes havia um forte sentimento contra os partidos políticos, resultado do desgaste da população com os principais partidos que estão hoje no congresso nacional. Mas não se pode generalizar, e impedir o direito democrático dos partidos de manifestarem-se também contra a corrupção.
Esta marcha com certeza vai entrar para a história da cidade. Tanto pela rapidez como foi organizada, por fora de qualquer entidade tradicional do movimento como CUT, sindicatos, ou outro tipo de organização. Foi uma demonstração de que o povo de Brasília não quer mais que sua cidade siga ligada às sujeiras que acontecem nos governos e no congresso nacional.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Após 11 anos, assassinato de Gildo Rocha terá julgamento


Policial que atirou irá a júri popular neste dia 21 de julho



ANA BEATRIZ SERPA, JORGE HENRIQUE E KARINE AFONSECA, DE BRASÍLIA (DF)
 

www.pstu.org.br
 
 
  O militante do PSTU assassinado, GIldo Rocha

• Após 11 anos, finalmente acontece o julgamento do assassinato de Gildo Rocha, militante do PSTU e dirigente do Sindser, sindicato dos servidores do Distrito Federal. Gildo foi morto na madrugada de 6 de outubro de 2000, durante atividade de greve contra a terceirização e por condições de trabalho.

Em 2000, o então governador Joaquim Roriz havia dado ordem de reprimir violentamente a greve dos trabalhadores da limpeza urbana (SLU), caso viesse a acontecer. Gildo Rocha, um dos líderes, saiu de casa de madrugada, no dia 6 de outubro, acompanhado de amigos, também do SLU, para uma atividade votada na assembléia: furar sacos de lixos para impedir a ação dos fura-greves. Dois policiais civis, armados e à paisana, abordaram o grupo, e na tentativa de fugir, 17 disparos foram efetivados contra o carro de Gildo. Dois tiros acertaram o porta-malas, oito ricochetearam e um atingiu Gildo nas costas.

Os policiais tentaram incriminar Gildo. Afirmaram que este estava em atividade suspeita e que teria disparado contra eles. Uma arma e drogas foram colocadas no carro, na tentativa de desqualificar a vítima. “Foi uma covardia muito grande isso. Demorou, mas dois meses depois, saiu o laudo mostrando que era tudo mentira”, lembra Gleicimar Souza, viúva de Gildo. O laudo do Instituto Médico Legal provou que Gildo não atirou, já que em sua mão não havia vestígios de pólvora. Um exame de sangue mostrou ainda que não havia consumido drogas.



Impunidade
O processo foi marcado pela lentidão. A ponto de um acusado já ter morrido, em acidente. O que mostra o papel da Justiça. “Para muitos, basta roubar uma galinha pra ser preso”, diz Gleicimar.

A companheira de Gildo perdeu a conta das idas ao Fórum, acompanhar o processo. “Eu ia lá tantas vezes e não entendia porquê da demora. Uma pessoa mata outra nessas condições, confessa... Ele tinha de ser julgado de imediato. Houve a morte, tinha a arma, o cara falou: ‘eu matei, eu fiz’”, lembra Gleicimar. “Tinha de ter um julgamento. Mas não foi o que aconteceu. Demorou dois anos para o Ministério Público fazer a pronúncia... Depois de uns cinco anos que o juiz mandou a júri popular”, protesta.

O primeiro julgamento só foi marcado dez anos após o crime, mas não foi realizado. Na ocasião, dezenas de policiais compareceram ao fórum, em uma tentativa de coação. O julgamento foi transferido de Ceilândia para Brasília, adiado e agora marcado para 21 de julho.

Após 11 anos, amigos e familiares não esqueceram o crime. “A ferida sempre vai ter. Não tem como mudar isso. Mas quando não tem justiça fica um buraco. A partir do momento em que tiver justiça, vai ser uma dor diferente. Vai ser um alívio, talvez”, imagina Gleicimar.

A decisão da Justiça pode amenizar a dor de sua mulher, seus filhos e companheiros. Gildo morreu na luta por um mundo melhor e mais justo. Continua presente nas lutas dos militantes do PSTU e dá força para combater as injustiças, a criminalização dos movimentos sociais e poderosos como Roriz.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

É proibido proibir!

Um manifesto em defesa da autonomia dos CA’s e da liberdade de organização do Movimento estudantil da UnB!

Essa semana vai ficar marcada para a história da UnB. Para aqueles que participaram da luta pela paridade nas eleições para reitor e da greve unificada dos três segmentos em 2005, da ocupação da reitoria na posse do Timothy, também em 2005, da ocupação da reitoria e da luta pela paridade nas eleições para reitor, em 2008, seguramente vão se lembrar dessa semana, como uma página sombria da história da UnB.

A semana começou com a revista VEJA desferindo um ataque ao movimento estudantil e sindical da UnB, com uma reportagem vergonhosamente mentirosa e apoiada nos setores mais reacionários e conservadores da universidade e do país. Em seguida o governo de Dilma recredencia a FINATEC, desconsiderando solenemente os processos judiciais em andamento contra a entidade e a reprovação das contas da FINATEC dos últimos dez anos. A reitoria da UnB, que prometeu em sua campanha eleitoral acabar com as fundações privadas, comemora a decisão e diz a “UnB precisa de uma fundação”. Para fechar a semana, a comunidade universitária se depara com a notícia veiculada no portal da UnB: “reitoria limita festas nos campi”, um mero eufemismo para dizer que a reitoria proibiu qualquer “festa” que não seja no centro comunitário, questão essa que pretende ser o centro desse texto.

A decisão da reitoria de proibir as “festas” e a forma como ela está encaminhando o cumprimento de seu Ato Institucional, apesar de parecer uma questão secundária e menor, diante dos dois fatos já citados nesse texto, é na verdade extremamente grave e perigoso para a liberdade de organização do movimento estudantil da universidade. E, não deixa de ser, também, mais um desdobramento do mesmo processo político que leva a VEJA e as grandes mídias a encaparem uma campanha de criminalização e desmoralização do movimento estudantil e sindical da UnB e que leva o governo Dilma a recredenciar a FINATEC.

As festas organizadas no minhocão pelos CA’s sempre foram parte importante da vida e da organização dessas entidades. Através dessas festas, muitos estudantes passam a conhecer melhor o CA do seu curso e, consequentemente, as atividades politicas, culturais e esportivas que acontecem na UnB. As festas sempre foram, e ainda são, uma porta importante para que os estudantes conheçam e participem do movimento estudantil, em todas as universidades do país. Essas festas, diga-se de passagem, cumprem um papel relevante para a condição de independência do CA, diante das reitorias, pois elas permitem que o movimento estudantil se autofinancie e não dependa do dinheiro de reitorias e departamentos. E, além do mais, as festas dos CA’s no minhocão podem ser espaços de desenvolvimento das expressões artísticas e culturais da UnB e da cidade, principalmente porque é um local em que bandas amadoras ou sem espaços nos circuitos de show da cidade podem apresentar seus projetos musicais para um público que aprecia e se interessa por novidades culturais.

Obviamente, não é preciso dizer que essas festas são um momento de lazer e de descontração para os estudantes da UnB e para a juventude de Brasília, principalmente para um setor da juventude que encontra nessas festas um dos poucos espaços acessíveis, financeiramente, para desfrutar de seu direito ao lazer e ao descanso, tendo em vista que o acesso às festas é gratuito. Infelizmente, é cada vez mais difícil desfrutar do direito ao lazer numa sociedade em que a insuficiência e a má qualidade do transporte público, o processo crescente de apropriação privada dos espaços de lazer, o preço caro e abusivo das festas e shows (que as produtoras de evento impõem ao público) e a jornada longa e estafante de trabalho, ao qual a maioria da população está submetida, torna o acesso a esse direito quase impossível para uma ampla camada populacional. Inclusive, um dos elementos que explicam um crescimento significativo do número de participantes das festas no minhocão é o aprofundamento do processo de elitização do acesso à cultura e ao lazer no DF, além, é claro, da utilização das redes sociais para a divulgação.

Apesar da importância da organização das festas para o movimento estudantil, especialmente das festas nas sedes do CAs’ no minhocão e nos prédios da UnB, como forma de financiar a atividade dos CA’s e aproximar os estudantes das entidades estudantis, têm ganhado força na UnB, nos últimos anos, um setor, do ativismo dessas entidades, que transformou os CA’s em verdadeiras produtoras de grandes festas. Esse setor do ativismo, encabeçado pela gestão do DCE, se associa, na maioria das vezes, a produtoras de evento e empresas privadas, principalmente, de produção de bebidas, para promover, no centro comunitário da UnB, shows para um público grande a preços elevados. Esse setor se contenta, para cumprir tal papel, a receber uma parte, pequena para as produtoras privadas, mas significativas para os CA’s, do lucro dessas festas.

Essa prática de organização de mega-festas é danoso para o movimento estudantil por dois motivos. Primeiro, porque o tempo de dedicação do ativismo dos CA’s para a construção desses eventos termina por transformar essa atividade como sendo a única desenvolvida pelas entidades, dificultando muito a possibilidade do CA ser um espaço para a construção de um movimento estudantil de luta pelas reivindicações dos estudantes dos cursos e pela defesa de uma educação pública de qualidade. Em segundo lugar, porque os ativistas e as entidades que representam, acabam cumprindo um papel, detestável e avesso à tradição do movimento estudantil de luta pela educação pública, de fortalecer uma lógica elitista de acesso à cultura e ao lazer, além de servirem como mão-de-obra barata para a divulgação de marcas e produtos privados, como a Mamute (bebida energética), que tem atuado com frequência na UnB. Não é estranho, entretanto, que essa prática tenha ganhado força na UnB e também em outras universidades do país, tendo em vista que a própria UNE vem privilegiando a despolitização de seus congressos e os transformando em verdadeiras colônias de férias, em que a direção da entidade, cada vez mais, procura grandes empresas privadas pra financiar os seus congressos.



Por que proibir as festas dos CA’s no minhocão e nos prédios da UnB?



A decisão da reitoria de proibir as festas é motivada pelos seguintes objetivos:

• A reitoria da UnB enfrentou uma série de protestos nesse semestre, em função dos problemas de estrutura dos campi e das condições precárias de vários departamentos e de cursos de graduação. A grande parte dessas mobilizações tiveram como vanguarda os estudantes, que se organizaram, sobretudo, através do CA’s. Como a reitoria de Zé Geraldo não tem conseguido dar soluções definitivas para esses problemas, a probabilidade que novas lutas e protestos voltem a tomar conta da UnB é grande e, por isso, é importante sufocar os centro acadêmicos como espaços de aglutinação e articulação dos estudantes, dificultando a organização e o desenvolvimento das lutas estudantis. Proibir as festas colabora para sufocar financeiramente os CA’s e dificultar o processo de integração dos estudantes dos cursos.

• Como parte de uma movimentação política da reitoria cada vez mais a direita, para se aproximar dos setores reacionários e conservadores que apoiavam e se beneficiavam da reitoria de Timothy, derrubada pela ocupação da reitoria em 2008, o Reitor Zé Geraldo faz coro ao discurso desse setor que sempre tentou criminalizar o movimento estudantil e o movimento sindical da UnB. Para esse setor conservador da universidade, é inadmissível que qualquer entidade ou coletivo organizado, que não seja de professores ou chefes de alguma instância de poder na estrutura administrativa da UnB, tenha o poder de usufruir ou definir sobre a utilização dos espaços públicos da universidade, uma posição antidemocrática e privatista. Não à toa, esse setor conservador sustentou uma fundação privada, a FINATEC, que parasitou (e infelizmente vai voltar a parasitar) a UnB, desviando mais de cem milhões de reais de dinheiro público.



No entanto, a reitoria alega que essa medida repressiva é motivada pelos danos provocados ao patrimônio público em virtudes das festas que aconteceram nas últimas semanas. A reitoria alega que não têm condições de manter a segurança do patrimônio ou dos participantes dessas festas, afirmando que a quantidade de pessoas é muito alta, em torno de 2000 a 3000 pessoas. O interessante dessa alegação é que a reitoria tem que manter no mesmo prédio em que ocorre a maioria das festas, o minhocão, durante todo o dia, a segurança patrimonial e dos transeuntes numa quantidade de pessoas que nos horários de pico, por baixo, ultrapassam o número de 5000 pessoas. Ora pois, ou a reitoria não tem interesse em zelar pelo patrimônio da UnB durante o acontecimento das festas, ou a reitoria não tem condições de garantir, em nenhum momento, a segurança, primordialmente, patrimonial da universidade. Outro problema dessa argumentação é que, o mesmo Zé Geraldo que agora se apresenta preocupado com o patrimônio, não apresenta o mesmo empenho e nem a mesma firmeza de iniciativa para solucionar os problemas de estrutura do minhocão e dos departamentos causados pelo alagamento da UnB e pelo atraso na conclusão das obras dos novos campi. Por que dois pesos, duas medidas?

Outra coisa que não faz sentido, sob a argumentação de justificar a proibição em função dos danos materiais, é que os danos causados ao patrimônio público (salvo a derrubada do poste na festa do CA de direito), segundo os relatórios, de imparcialidade e confiabilidade altamente suspeita, foram causados por indivíduos (e não pelas festas) que poderiam perfeitamente ter causado os mesmos danos andando na UnB durante o horário letivo e sem a realização de nenhuma festa. Mas nesse caso, a reitoria, seguramente, não faria esse estardalhaço e não proibiria a circulação de pessoas pelo minhocão.

O que a reitoria propõe para “resolver” a questão é algo tão absurdo como um dirigente de futebol que propusesse o fim dos campeonatos de futebol no Brasil, pelo fato de acontecerem vez ou outra, nos estádios, brigas entre torcedores.

Na tentativa de fazer valer a sua posição proibitória sobre as festas, Zé Geraldo tomou duas atitudes essenciais. A primeira foi chamar uma reunião com os chefes de departamento para apresentar a sua posição e anunciar que pretende punir os CA’s e os indivíduos que realizarem festas no minhocão. Entre as punições constam a perda do direito do CA de requerer ônibus ou auxílio para a participação de atividades externas a UnB e a abertura de processos administrativos contra os responsáveis pelas festas, processos esses, que podem até mesmo pedir a expulsão do estudante da UnB.

A gravidade dessas medidas é que, na prática, elas abrem uma brecha para perseguir ativistas e entidades que estejam incomodando a reitoria. Por exemplo: num curso como letras em que existem quase 2500 estudantes, não seria incomum que um grupo de 50 a 60 estudantes, de forma arbitrária e não articulada, estivessem presentes no CALET ao mesmo tempo, conversando e ouvindo música. O que impede a reitoria de considerar isso uma festa não autorizada e desencadear uma série de represálias contra o CA e os seus ativistas? O que está em jogo não são somente as festas, mas a própria autonomia e liberdade de organização dos CA’s sobre suas atividades e sobre o seu espaço físico. Essa medida absolutamente antidemocrática, autoritária é um duro ataque a liberdade de organização do movimento estudantil e deve receber uma resposta firme e à altura do movimento estudantil da UnB, em defesa de sua liberdade de organização. É fundamental que nesse momento os fóruns do movimento estudantil sejam convocados o CEB e se possível a assembleia, para discutirmos a questão e organizar uma festa unificada de todos os cursos e CA’s no minhocão e nos prédios da UnB para dizer em alto e bom som ao reitor Zé Geraldo que é proibido proibir.



Eduardo Zanata

Estudante de letras da UnB, oposição ao DCE

Membro da direção regional do PSTU-DF

segunda-feira, 4 de julho de 2011

PT e Agnelo: a Benedito Domingos, impunidade; aos trabalhadores da saúde em greve, repressão!

Eduardo Zanata, da direção do PSTU-DF

A última semana do mês de junho de 2011 selou, de forma significativa, o modelo de governança do PT no DF. Ao mesmo tempo em que deputados distritais da base aliada do governo Agnelo, entre eles Chico Vigilante (PT), enterraram o processo de cassação de Benedito Domingo, acusado de inúmeras fraudes de processos licitatórios em várias regiões administrativas do DF e citado por Durval Barbosa nos esquemas de corrupção da caixa de pandora, o governo Agnelo desencadeou uma campanha feroz de criminalização e desmoralização dos trabalhadores da secretaria de saúde. O governo Agnelo utilizou de verbas públicas para veicular nas rádios e TV's uma carta, em que descarregava a culpa pelo caos na saúde nos trabalhadores em greve, entre outras medidas como o corte de ponto dos grevistas e o pedido judicial de ilegalidade da paralisação.

A opção que o PT fez, ao garantir a impunidade de Benedito Domingos e reprimir os trabalhadores da secretaria de saúde, não é condizente com as opções de um governo dos trabalhadores. Mas, infelizmente não é novidade para os trabalhadores que os governos do PT optem por governar para os setores burgueses mais reacionários e corruptos do país e ataquem os trabalhadores. Nos governos de Dilma e Lula, figuras como Jader Barbalho, Sarney, Collor, entre outros sempre estiveram na lista dos fieis aliados. No entanto, a reforma da previdência, a proposta de congelamento salarial dos servidores públicos, a privatização dos aeroportos foram algumas das inúmeras ações que os governos de Dilma e Lula aplicaram e estão aplicando contra os trabalhadores.


É muito importante que os trabalhadores da secretaria de saúde sejam vitoriosos nessa greve, pois a luta desses companheiros é a luta por uma saúde pública de qualidade, que só pode ser concretizada se todos os profissionais dessa área estiverem devidamente valorizados e atuando em locais com condições dignas de atendimento.

Os trabalhadores não devem manter nenhuma confiança nos governos do PT e de Agnelo, somente a mobilização e organização independente dos governos podem garantir vitórias aos trabalhadores. Chamamos toda a população a se solidarizar a luta dos trabalhadores da secretaria de saúde do DF, que enfrentam um brutal processo de repressão do governo Agnelo. Enquanto o PT se dedica a salvar o pescoço dos rorizistas, a saúde pública do DF sofre com a falta de investimentos, de profissionais e de condições dignas de trabalho e de atendimento ao público.

O que a grande mídia realmente quer nos fazer pensar da UnB?

Há uma grande ofensiva da mídia para convencer a sociedade de que a UnB é um espaço dominado por festas, drogas, libertinagem, politização excessiva, liberdade excessiva, greves recorrentes, etc.


Mas são estes nossos problemas reais? São estes os problemas reais da UnB? Por que devemos ver o mundo sob a ótica e a pauta da grande mídia?

Sabemos que Veja, Correio Braziliense, Organizações Globo e outras instituições similares buscam pautar o debate público na sociedade e tem as condições materiais para isso. São organizações do grande capital que defendem os interesses materiais e as concepções de mundo que interessam a reprodução do grande capital. Ao grande capital interessa destruir a Universidade Pública para tornar a educação e o conhecimento uma mercadoria cuja oferta deve estar sob seu controle e a seu serviço. Ao grande capital interessa destruir este oásis de liberdade que é a universidade pública num mundo dominado pelo despotismo do capital. Mais do que isso, trata-se de criminalizar, ou ao menos aviltar todas as atividades humanas que não contribuam, objetiva e subjetivamente, para a reprodução do capital e de seus interesses particulares como pilar da vida social. No caso particular de que aqui tratamos, trata-se de cristalizar no imaginário popular a ideia de que a Universidade é um espaço dominado pela politização excessiva, pela liberdade excessiva, pelas greves recorrentes, pelas festas, pelo uso e pelo abuso de drogas, etc.

Mas estes não são os nossos problemas reais! Nossos problemas reais passam pela falência do sistema educacional no país; nossos problemas reais passam pelos salários de miséria que recebem os professores; nossos problemas reais passam pelas políticas humanicidas que transformam a escola num depósito de crianças; nossos problemas reais passam por uma população composta majoritariamente por analfabetos e analfabetos funcionais; nossos problemas reais passam pela precarização da universidade pública e do trabalho docente; nossos problemas reais passam por um orçamento público em que 40% do dinheiro de nossos impostos servem apenas para enriquecer com os juros mais altos do mundo alguns poucos endinheirados que se fartam em orgias sem fim bancadas pela miséria, pela fome, pela falência da saúde pública e por todos os dramas que, num mundo de abundância, cotidianamente assolam a vida da imensa maioria das pessoas.

Para ocultar nossos problemas reais, que são apenas nossos, e que por isso nada significam do ponto de vista do capital enquanto sua agenda e sua ordem social não estiverem em xeque por força de nossa própria ação, trata-se de buscar ocupar nosso imaginário com os problemas que lhes interessam que nos ocupemos. Enquanto assim o fizermos, os problemas por eles criados servem apenas para fazer com que briguemos entre nós - e enquanto brigamos entre nós, permanecemos separados uns dos outros - e enquanto permanecemos separados uns dos outros, distantes uns dos outros, e distantes de nossos problemas reais, eles impõem sua agenda a ferro e fogo, e fazem assim de nossa própria consciência a imagem e semelhança dos conceitos e dos preconceitos que nela são cotidianamente implantados pela ação corrosiva que a grande mídia exerce nossa inteligência, nossa consciência, nossa sensibilidade e nossa humanidade - ou o que ainda dela pode restar,...
E assim, num círculo infernal, não cessam de se agravar nossos problemas reais, até que por fim nos cansamos de tudo, nos demitimos do mundo, nos desiludimos de tudo e de todos e nos ocupamos apenas de nossos problemas particulares. Bingo! Era esta a ideia! Ao fim, adoecemos todos, deprimidos, dopados, cansados, exauridos de viver uma vida que não é a nossa, que não é a vida que nossa própria liberdade gostaria de construir para nós.

Assim caminha a humanidade, e assim caminhando, cava a sua própria cova.

Não, a agenda deles não é a nossa! Basta de nos portarmos como os ventríloquos inconscientes e involuntários de uma agenda perversa, de uma agenda que não é a nossa!

Um dia ainda diremos a eles, em alto e bom som, nossa última palavra:
Não somos máquinas, homens é o que somos!

Rodrigo Dantas*

*Rodrigo Dantas é professor do Departamento de Filosofia da UnB, militante do PSTU, foi candidato a Governador nas eleições de 2010.



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Todo o apoio à luta dos trabalhadores da saúde

O PSTU-DF vem manifestar sua solidariedade à greve dos trabalhadores da saúde do Distrito Federal, que travam uma luta muita importante pela valorização dos servidores da secretária de saúde do DF. Nesse momento em que a inflação, principalmente dos alimentos, dispara em todo o país é legítima e fundamental a luta dos trabalhadores pelo aumento dos salários.


Repudiamos, veementemente, a postura do governo Agnelo e da imprensa da cidade, que tentam criminalizar a greve dos trabalhadores da saúde do DF e culpa-los pelo caos na rede de saúde pública. É um absurdo que o governo Agnelo ameace cortar o ponto dos trabalhadores paralisados, tentando impedir os servidores da secretária de saúde de exercer o seu direito constitucional de fazer greve. Exigimos que a secretária de saúde e o governo reabram imediatamente as negociações e atendam as reivindicações da categoria.

Chamamos toda a população do DF e do entorno a se solidarizar com a luta dos trabalhadores da secretária de saúde do DF. A luta desses companheiros é a luta de toda a população do DF por uma saúde pública, gratuita e de qualidade. Os únicos responsáveis pelo caos na rede de saúde pública do DF e do país são os governos, que continuam ano após ano retirando verbas das áreas sociais para pagar a infindável dívida pública e encher o bolso de meia dúzia de empresários e políticos com esquemas de corrupção.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Servidores da UnB aprovam greve por unanimidade



Durante assembleia realizada nesta terça-feira, dia 7, os servidores técnico-administrativos da UnB aprovaram por unanimidade a deflagração da greve por tempo indeterminado. Com a decisão, as atividades nos setores da UnB serão suspensas já na tarde de hoje.

Às 14h30, o Comando de Greve do Sintfub se reunirá para encaminhar as ações que serão desempenhadas durante o movimento grevista. No encontro, o grupo também indicará os locais da Universidade que deverão funcionar com pelo menos 30% do quadro funcional, como manda a lei. "Alimentação de plantas e animais e o HUB são alguns lugares que deverão funcionar com o quantitativo mínimo", informa o coordenador geral do Sintfub, Antônio Guedes.

A greve dos técnico-administrativos da UnB segue a orientação da Plenária da Fasubra, realizada no dia 1° de junho, que indica a deflagração do movimento grevista em todas as IFES. A ação é uma resposta à indisposição do governo em atender as reivindicações que pautam a Campanha Salarial da categoria. O principal ponto reivindicado pelos servidores é o reajuste do piso salarial para três salários mínimos mais step de 5%. Além disso, a Campanha Salarial da categoria também pauta a devolução do VBC incorporado, reposicionamento dos aposentados e racionalização dos cargos, que fazem parte do acordo de greve fechado com o governo em 2007.

Na assembleia desta terça-feira, a categoria ainda aprovou a contribuição extra de 1% dos vencimentos para o fundo de greve, como orienta a Fasubra. Os técnico-administrativos da UnB realizam nova assembleia dia 14 de junho, terça-feira, às 9h, na Praça Chico Mendes.

Da Secretaria de Imprensa e Divulgação do Sintfub

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pra Não Deixar Virar Sucata!

Unificar as lutas contra o corte na educação! A expansão não pode acabar em precarização!

Nota da ANEL e da CSP - CONLUTAS sobre a situação na UnB. Um chamado à Unidade!

Vivemos hoje um quadro de precarização intensa das condições de estudo e de trabalho na UnB: corte do orçamento e suspensão de concursos e nomeações em meio ao processo de expansão; aumento da carga letiva e sobrecarga cada vez maior de trabalho docente, salas de aula cada vez mais cheias, falta de espaço físico, filas gigantescas no RU, instalações e infra-estrutura sucateadas; falência do HUB, novos campi funcionando em condições precárias há vários anos, atrasos nas obras, inundações no ICC por falta de drenagem pluvial e reformas estruturais no prédio, e como consequência disso, departamentos devastados, desabrigados e com grande parte de seu patrimônio imaterial destruído pelas chuvas; retomada do arrocho salarial de docentes e servidores (que não terão direito ao reajuste anual de seus salários em 2011, e se acham ainda sob ameaça de corte da URP, que representa 26% de seus vencimentos), e aprofundamento do processo de super-exploração do trabalho dos terceirizados (salários de fome, atrasos e irregularidades constantes no pagamento, lucros exorbitantes das empresas, violações sistemáticas aos direitos dos trabalhadores, assédio moral, repressão, ameaças de demissão e práticas anti-sindicais), etc, etc, etc.

Após ter expandido a Universidade Pública, o governo Lula/Dilma não só não expandiu seu orçamento em proporções correspondentes, como ainda determinou um corte linear de 10% no orçamento da educação para pagar os juros mais altos do mundo aos bancos e grandes especuladores da dívida “pública”, que por esta via se apropriam de mais de 1/3 do dinheiro de nossos impostos.

Nesta conjuntura, se a Universidade não for capaz de unificar as lutas que hoje explodem por toda parte numa grande luta unificada contra o corte do orçamento e por uma expansão com os recursos necessários para preservar a qualidade da Universidade e sua concepção original, baseada no tripé indissociável entre ensino, pesquisa e expansão, a situação de precariedade aguda em que hoje nos achamos se aprofundará e se consolidará nos próximos anos, até se tornar irreversível.

Não podemos permitir que isso aconteça. Nos últimos anos, a UnB já demonstrou do que é capaz: em 2008, os estudantes ocuparam a reitoria e, com o apoio de toda a comunidade universitária, deram fim a administração corrupta de Timothy Mullholand e cia; em 2010, a grande greve dos docentes e servidores contra o corte da URP terminou vitoriosa, com o apoio dos estudantes. Agora é hora de nos mobilizarmos nexigimos que as direções do DCE, do SINTFUB e da ADUnB deixem de lado seus laços com o governo e a reitoria e convoquem assembleias ovamente, numa grande jornada de luta em defesa da UnB e contra o quadro de precarização que o governo está impondo a universidade.

Neste sentido, para organizar uma pauta comum de reivindicações e uma grande campanha unificada de luta contra os cortes na educação e em defesa da UnB!


Chega de cortes na educação! 10% do PIB para a educação, já! Por uma expansão de qualidade!


Mais verbas para o HUB! Verbas emergenciais para reparar os danos do alagamento! Reforma no minhocão já!


Todo apoio as ocupações de espaço físico para os CAS de geografia e filosofia! Por espaço físico para todos os Cas!


Abaixo o arrocho salarial de docentes e servidores! Aumento geral dos salários e garantia do direito reposição salarial anual para cobrir as perdas com a inflação!


Contra o aumento da carga letiva dos docentes além do limite de dois cursos! Jornada de trabalho de seis horas para os servidores técnico-administrativos!


Que a reitoria não demita nenhum trabalhador! Abaixo a terceirização, a precarização e a super-exploração do trabalho dos terceirizados! Basta de lucros exorbitantes para as empresas e miséria para os trabalhadores! Aumento geral dos salários dos terceirizados!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Servidores de Brasília mostram insatisfação com governo em assembleia no DF



Servidores públicos federais fizeram assembleia hoje em Brasília para discutir os rumos da campanha salarial 2011. Ficou claro que em parte da categoria já se apresenta um certo desgaste com a atual presidente da república, que foi eleta prometendo valorizar o servidor e já no início de mandado veta qualquer tipo de aumento salarial e suspende a convocação de concursados.

O dia 11 de maio foi escolhido pela última plenária da Confederação votado dos Servidores Públicos Federais (Condsef) como um dia de mobilização. A ocasião deveria servir para atos de rua e paralizações, como aconteceu em São Paulo, mas o Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Distrito Federal (SINDSEP-DF), que representa a categoria na cidade, fez apenas uma assembleia. Mas foi positivo o fato de pela primeira vez em muito tempo a categoria fazer uma verdadeira discussão política.

Os militantes do PSTU, junto com outros ativistas que fazem oposição à atual direção do SINDSEP-DF, denunciaram os 50 bilhões de cortes do orçamento, que é verdadeiro motivo do pacote de maldades contra o funcionalismo. Além disso, foi questionada a postura do SINDSEP-DF, que em momento algum faz a discussão sobre o caráter desse governo, que já começa privatizando aeroportos.

No dia 28 deste mês vai ocorrer outra plenária da CONDSEF para discutir nacionalmente o encaminhamento da campanha salarial. E no dia 16 de junho os servidores federais fazem uma grande marcha à Brasília. Se o governo continuar irredutível, existe possibilidade de greve geral no setor.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Funcionalismo vai reagir a cortes do governo


Na plenária do dia 14 de abril, os trabalhadores representados pela Condsef(Confederação do Servidores Públicos Federais) aprovaram um calendário de mobilização contra o pacote de cortes do governo e pelo cumprimento dos acordos firmados no governo anterior.  No 11 de maio serão organizados atos nos estados e 13 de junho terá marcha à Brasília. Pode ser que saia greve, a primeira do setor no governo Dilma.