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quinta-feira, 10 de março de 2011

Julgamento dos Assassinos de Gildo Rocha

Gleicimar de Sousa Rocha (viúva)


O Júri será realizado no Dia 17/03/2011 (quinta-feira) às 9hs Tribunal do Júri da Circunscrição Especial Judiciária de Brasília no Anexo II do Palácio da Justiça, Bloco B, Ala C, Térreo, Plenário - Brasília/DF



SOMOS TODOS GILDO! CHEGA DE IMPUNIDADE! PUNIÇÃO PARA OS ASSASSINOS!


No dia 17/03/2011 (quinta-feira) às 9hs, será realizado o julgamento do acusado pelo assassinato de Gildo da Silva Rocha, militante do PSTU e dirigente do Sindser - (sindicato dos servidores do Distrito Federal)


Em 2000, o então governador Joaquim Roriz, tinha dado ordem de reprimir violentamente a greve dos trabalhadores do Serviço de Limpeza Urbana- SLU, Gildo Rocha, um dos líderes da greve, saiu de casa de madrugada no dia 6 de outubro para uma atividade da greve. Policiais a paisana o abordaram e, na perseguição, foram disparados 17 tiros contra seu carro, e um deles o atingiu nas costas.


Para esconder o covarde crime, os policiais afirmaram que Gildo estava em atividade suspeita, e que ele foi o primeiro a disparar. Colocaram arma e drogas em seu carro que veio a ser desmentido através do laudo dos peritos da Policia Civil do DF, ficando provado que Gildo não tinha consumido droga e que não tinha feito nenhum disparo de arma de fogo.O processo cível aberto para responsabilizar o Governo do Distrito Federal pelo assassinato, e exigir indenização para esposa e dois filhos, também não deu em nada, segundo os juízes os herdeiros não têm direito a indenização pois Gildo provocou a própria morte.


No dia do julgamento precisamos reunir o máximo de gente possível no forum para juntos exigirmos justiça.


GILDO PRESENTE!!!


GILDO PRESENTE!!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Crise na Líbia divide espaço com sátira à política nacional no Pacotão

Correio Braziliense - Ciência e Saúde - Crise na Líbia divide espaço com sátira à política nacional no Pacotão

Crise na Líbia divide espaço com sátira à política nacional no Pacotão




Diversas faixas citavam o presidente da Líbia, Muammar Khadafi, que enfrenta uma guerra civil em seu país

A sátira à política nacional dividiu espaço com temas internacionais no Pacotão deste ano. A crise política no Oriente Médio e no norte da África não passou despercebida no bloco mais tradicional da capital federal, que hoje (8/3) fez o segundo desfile no carnaval de 2011.

Diversas faixas citavam o presidente da Líbia, Muammar Khadafi, que enfrenta uma guerra civil em seu país. Os dizeres seguiam a irreverência tradicional do bloco. “Khadafi não leva mais a Líbia na lábia”, citava uma faixa.

Até o boneco do Charles Preto, presença tradicional no Pacotão, carregava um lenço árabe. “Quero passar a mensagem de que a democracia é mais importante que tudo”, disse o bancário Arimateia Lima, 57 anos, que carregava o boneco num jipe.

O boneco do Charles Preto fazia referência ao diretor do Departamento de Turismo do Distrito Federal durante a ditadura militar, Carlos Black Pereira. Em 1978, quando o Pacotão foi fundado, ele ameaçou impedir o desfile. Em homenagem a Carlos Black, os criadores do bloco criaram o boneco e o nomearam presidente vitalício e simbólico do Pacotão.



Com muita criatividade e irreverência os políticos do DF envolvidos em escândalos não foram esquecidos pelos foliões

Apesar dos temas internacionais, a política nacional continuou a ter destaque no Pacotão. Nem escândalos recentes foram deixados de lado. Diversas faixas faziam menção à deputada federal Jaqueline Roriz (PMN), flagrada num vídeo obtendo recursos ilegais para a campanha eleitoral de 2006.

“Jaque, cadê meu dinheiro? Você viajou? Me liga, mulher”, dizia uma faixa. Outra foliã comparava a deputada ao pai, o ex-governador Joaquim Roriz. “Tal pai, tal filha”, criticava a faixa.

O governo da presidenta Dilma Rousseff também foi satirizado. “Dilminha tesourão, tesourão chegou cortando tudo”, mencionava uma faixa, referindo-se ao corte de R$ 50 bilhões no Orçamento deste ano. A eleição de celebridades para o Congresso Nacional não ficou de fora. “Tiririca, Popó e Romário: Tropa de Elite 3 na Câmara dos Deputados”, citava outra faixa.

Mais uma vez, o corretor de seguros Jafé Tôrres, 70 anos, desfilou vestido como o ex-presidente e atual senador Itamar Franco. Uma placa pendurada no pescoço justificava a volta de Itamar ao cenário político nacional: “Dilminha, abra o olho. Estou aqui de novo”.

No Dia Internacional da Mulher, elas foram homenageadas. Ao longo do percurso, o locutor do trio elétrico dedicava o desfile às mulheres. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam o Pacotão no início da W3 Sul, uma das principais avenidas de Brasília. A tendência é o público aumentar até as 22h, quando acaba a festa.

Apesar do público maior que nos últimos anos, o clima era de segurança. Até a chegada na 504 Sul, às 20h14, a Polícia Militar não tinha registrado incidentes. Depois, em 10 minutos, a PM vistoriou a W3 para retirar os últimos foliões e liberou o trânsito. “Aqui, a diversão é para a família toda”, disse a costureira Leilian Alves, 45 anos, que há 22 anos desfila no bloco com a filha e, mais recentemente, com as duas netas.

Com informações da Agência Brasil

terça-feira, 8 de março de 2011

Mulheres trabalhadoras em luta contra o machismo e a exploração

Dia Internacional de Luta das Mulheres


Ana Pagamunici, da Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU

• O dia 8 de março é o Dia Internacional de Luta das Mulheres. A data foi criada em 1910, por iniciativa da socialista Clara Zetkin, em referência às 129 trabalhadoras assassinadas da fábrica Cotton, nos Estados Unidos, em 1857.

Para as mulheres trabalhadoras, a data ganhou ainda mais sentido quando, em 8 de março 1917, as mulheres da Rússia saíram às ruas exigindo “paz, pão e terra” e ajudaram a detonar a revolução socialista no país.


A luta das mulheres hoje


A crise econômica mundial tem promovido uma escalada de ataques à classe trabalhadora, particularmente às mulheres. Em 2008, nos EUA, a contratação de trabalhadoras pelas montadoras de automóvel, em condições de precariedade e com menos direitos, tornou-se fundamental para amenizar os efeitos da crise. Na França, em 2009, o aumento da idade para a aposentadoria e a retirada de direitos dos servidores públicos também serviram para apressar uma recuperação parcial do capital, mas os conflitos continuam.

O que está em curso é uma política internacional de mudanças nas relações de trabalho, uma tentativa de estabelecer uma enorme precarização do trabalho (como na China) no mundo todo, em que os trabalhadores possam ganhar menos e os patrões, mais.


Os efeitos da crise também promoveram em escala mundial o aumento dos preços dos alimentos e o desemprego. As mulheres são as mais afetadas pelos efeitos da crise, pois representam quase 40% da população economicamente ativa, ganham os menores salários e são quase 70% dos mais pobres do mundo.

No Brasil, a crise internacional ainda não teve os mesmos efeitos. Mas o atual ciclo de crescimento não resultou em uma melhora de vida para as mulheres. É o contrário. O governo sustenta o país com o aumento da exploração dos trabalhadores. Contratam-se pessoas, mas os salários estão menores, com menos direitos. As mulheres são utilizadas para regular o preço da mão de obra, porque são mais “baratas” e ganham até 30% menos que um homem para uma mesma função. Isso piora muito quando falamos das mulheres negras.

O aumento dos preços dos alimentos, da tarifa de transporte, de energia e, de modo geral, da carestia de vida em nosso país tem colocado maiores dificuldades à vida das mulheres. De acordo com os dados da PNAD (2010), no Brasil, as mulheres são a maioria da população (52%). Também estudam mais que os homens, mas estão nos postos de trabalho com menor remuneração.

A eleição de uma mulher à Presidência


A eleição de uma mulher à Presidência da República e, com ela, o aumento da presença feminina nos ministérios, não pode ser tratado como um fato menor. Estamos em um país no qual uma mulher é vítima de violência a cada dois minutos. E, a cada duas horas, morre uma vítima dessa violência. O Brasil é um dos países mais atrasados em direitos e avanços mínimos em relação aos direitos da mulher. Eleger uma delas significa algo importante: que as massas expressam de maneira distorcida o sentimento e a esperança de ver mudanças. No caso de Dilma, como a continuidade de Lula.

Mas os fatos vão demonstrando o que as ilusões ocultam. Dilma foi eleita num contexto de grande retrocesso na consciência. Uma eleição fria, em que predominaram aspectos conservadores e de adaptação à ordem estabelecida. Seu primeiro (des)serviço às mulheres foi ter transformado em moeda de troca uma bandeira histórica das trabalhadoras, a luta pela legalização e descriminalização do aborto. Com a chamada Carta ao Povo de Deus, ignorou as inúmeras que morrem todos os dias vítimas de procedimentos mal sucedidos e se dirigiu à população para se comprometer com os setores que lucram com a não-legalização do aborto. Lembremos que o aborto é proibido somente para as mulheres trabalhadoras, pois as mulheres burguesas têm dinheiro suficiente para pagar pela intervenção em uma clínica.

Em seguida, sua primeira ação importante como governante foi impedir o aumento do salário mínimo. Dilma defendeu que o reajuste não poderia superar R$ 35 “para não quebrar o país”, mas se calou diante do aumento de 62% no salário dos deputados e de 133% para ela própria. Como pode uma mulher eleita com a promessa de melhorar a vida dos mais pobres e honrar as mulheres ser contra um aumento maior do salário mínimo?

Mas Dilma não parou por aí. Através da imprensa, o governo cogita a possibilidade de criar uma idade mínima para aposentadoria - dos homens para 65 anos e das mulheres para 60 anos. Dilma já cortou R$ 50 bilhões do orçamento, retirando dinheiro de áreas essenciais. Suspendeu concursos públicos, que são possibilidades de empregos para as mulheres. E sequer fez algum pronunciamento contra a violência que aflige as mulheres haitianas, vítimas de soldados brasileiros no Haiti.

Tudo isso mostra que não basta ter uma mulher à frente do governo para que os interesses das mulheres trabalhadoras sejam atendidos. Para o PSTU, a eleição da Dilma é a continuidade de um governo que não está a serviço das mulheres trabalhadoras. É uma grande aposta da burguesia, que se apoia na ilusão das pessoas para continuar explorando os trabalhadores.

Violência, direito à maternidade e machismo


A última pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostra com clareza os índices de violência contra a mulher em nosso país. A cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas. A Lei Maria da Penha é insuficiente para resolver isso. Não prevê investimentos na construção de casas-abrigo e punição aos agressores. Mal a lei é aplicada e, quando o é, mostra não ser capaz de resolver a violência, que está ligada muito mais às condições de vida das mulheres.

O Estado também pratica essa violência quando se nega a garantir os direitos básicos às mulheres. O direito à maternidade é um deles. Enquanto o governo proíbe o aborto, não dá garantias para as mulheres que optam pela maternidade. A licença-maternidade de seis meses não vale para todas. Também não há creches para os filhos das mulheres trabalhadoras. Mais de 85% das crianças de 0 a 3 anos estão fora das creches.

Nas ruas, contra o machismo e a exploração


Neste 8 de março, vamos tomar os ensinamentos das mulheres árabes, que estão fazendo revoluções, e sair às ruas contra o machismo e a exploração. Precisamos construir grandes atos para demonstrar nossa força e unidade de ação para enfrentar os governos e patrões.

Lutamos por:


– Dobrar o valor do Salário Mínimo rumo ao piso do Dieese (R$ 2.227)!
– Salário igual para trabalho igual!
– Anticoncepcionais para não abortar. Aborto legal, seguro e gratuito para não morrer!
– Direito à maternidade: a) licença-maternidade de seis meses para todas as trabalhadoras e estudantes, sem isenção fiscal, rumo a um ano; b) creches gratuitas e em período integral para todos os filhos da classe trabalhadora.
– Pelo fim da violência contra a mulher! Aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha! Construção de Casas-abrigo! Punição aos agressores!
– Pelo fim da ocupação militar no Haiti. Fora as tropas brasileiras!
– Solidariedade e apoio às revoluções árabes!

No 8 de março, as mulheres vão botar o bloco na rua

Confira, abaixo, a programação completa.


São Paulo


12 de março, 9h


Concentração em frente à Igreja da Consolação, no centro São Paulo






Rio de Janeiro


8 de março, às 16h


Bloco “Maria vem com as outras”


Concentração na Fundição Progresso






17 de março, 16h


Panfletagem na central do Brasil






22 de março


Ato político de pré-lançamento do Fórum Estadual de Luta contra a Violência à Mulher


Local e horário a confirmar






Brasília


8 de março


Bloco do Pacotão, que sai às ruas todos os anos com um tema político. Esse ano o tema será a revolução árabe.






Pará


12 de março, às 9h


Palestra: “8 de março: Contra o machismo e a exploração; em defesa da mulher trabalhadora”


No acampamento do MTST (Estrada do Outeiro)






Piauí


5 de março


Participação no Bloco Sanatório Geral






Maranhão


4 de março, às 19h


Ato de lançamento e festa do bloco


Na Sede Recreativa do Sindicato dos Bancários (Turu, São Luís), com animação da cantora Tássia Campos e Banda






8 de março


Desfile na Passarela do Samba. Fantasias, abadás, bandeiras, faixas e estandarte denunciando a violência contra a mulher e a situação da mulher trabalhadora e se solidarizando com as mulheres haitianas e do Oriente Médio.






Minas Gerais


11 de março


Ato unitário em comemoração ao Mês da Mulher. Temas: combate à violência contra as mulheres e luta pelo direito à moradia.






12 de março


Debate: “Como a crise econômica afeta principalmente as mulheres no país e no mundo”. Palestrantes do Ilaese, MML e Quilombo Raça e Classe


A confirmar: espetáculo teatral

domingo, 6 de março de 2011

8 de março de 2011, Dia Internacional da Mulher

PSTU pula o carnaval denunciando o machismo

http://www.pstupe.org.br/products/pstu-pula-o-carnaval-denunciando-o-machismo-/?sms_ss=facebook&at_xt=4d725e2154d6d514%2C0

Além da estréia do bloco, o Partido distribuirá leques contra violência à mulher

Com o Dia Internacional da Mulher caindo na terça-feira, 8 de março, as bandeiras feministas tomam conta deste carnaval. O PSTU em Pernambuco trás como tema para o primeiro ano do bloco: Neste Carnaval... Nois toma partido das mulheres contra a violência. A folia será na terça-feira (8) e a concentração às 10h, em frente à barraca do PSTU, por trás do posto de saúde, na Praça do Carmo em Olinda.

Além dos blocos formados por mulheres, outras iniciativas buscam trazer a defesa das mulheres para a folia. Nos dias de festa, o PSTU distribuirá um leque comemorativo ao 8 de março, com a frase “Neste carnaval, respeite as mulheres”. O leque condena a violência machista e ressalta que é preciso respeitar a mulher não só no seu dia, mas “o ano inteiro”.

“Foi a forma que encontramos de brincar carnaval conscientizando”, diz Vera Nepomucemo, da Secretaria de Mulheres do partido. O tema da violência foi escolhido diante do aumento dos casos e até de assassinatos contra mulheres, mesmo com a Lei Maria da Penha. “A cada quarenta segundos, uma mulher sofre alguma agressão física no País. Infelizmente, a impunidade e a dependência econômica fazem com que esse atraso continue”, denuncia Vera.

O partido também pretende combater a exploração da imagem feminina. “Queremos dar um refresco no calor, mas também oferecer uma alternativa aos leques das cervejas, que exploram a imagem da mulher em suas propagandas e até no nome. Mulher não é objeto”, alfineta Vera. O material será distribuído em diversas cidades do país, com destaque para os blocos de Recife, Rio de Janeiro, Aracaju, São Luis e Salvador.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Fora as mãos imperialistas da Líbia!

Pelo triunfo da resistência na Líbia, abaixo Kadafi!


http://www.litci.org/

• Muammar Kadafi está respondendo com violência militar à insurreição contra sua ditadura de 42 anos. A guerra civil desatada está provocando milhares de vítimas. Kadafi usa a artilharia pesada e a aviação contra as cidades e os bairros da capital, que ainda está em suas mãos. O ditador não está utilizando sua máquina militar só contra as massas que se armaram, mas também contra a população desarmada, ao melhor estilo de Hitler.

Kadafi ameaça várias cidades com bombardeios aéreos, caso não mostrem apoio incondicional a ele. Centenas de milhares de tunisianos e trabalhadores imigrantes de outros países estão fugindo do massacre. Apesar de sua brutal resposta, a insurreição tem tomado o controle de grande parte do país, e as milícias populares estão se dirigindo à capital Trípoli para expulsar o ditador, mas ele continua realizando duros contra-ataques. Não há nada definido, mas aparentemente Kadafi está perdendo a guerra.

IMPERIALISMO

O imperialismo esteve em silêncio por vários dias desde o começo da insurreição. Mas ao ver que Kadafi não conseguiria detê-la, pediu ao ditador para não usar mais a violência e negociar com a oposição. E só agora, quando vê que a insurreição pode triunfar, está propondo que ele deixe o poder para ser julgado.

A Líbia é um importante exportador de petróleo e gás, principalmente para a Europa e os EUA. Recordemos que o imperialismo, particularmente o europeu, sustentou por anos o regime de Kadafi. O ditador e sua família são parte da burguesia europeia, pois estão unidos a ela em múltiplos negócios. Em todos estes anos ninguém exigiu nenhuma medida de democratização nem que ele deixasse de reprimir e torturar.

Diante da força da insurreição, o imperialismo tem sido obrigado a se diferenciar de Kadafi, esperando encontrar uma solução negociada. No Egito o imperialismo tem seus colaboradores diretos no exército, que ficou intacto, e está tentando desmobilizar as massas para manter os pactos que unem o país ao imperialismo e assegurar a existência de Israel.

Ao se encontrar intacta a principal instituição do Estado burguês (o exército financiado há anos pelos EUA), o imperialismo não chegou a propor nenhuma intervenção armada no Egito. Além disso, ele percebe que no Egito a oposição ao regime não propõe a destruição desse exército. Ou seja, a situação egípcia é bem diferente da Líbia. Na Líbia o exército foi destruído. Parte dos soldados e oficiais desertou, passando para o lado da insurreição.

Não é uma divisão do exército onde há duas partes intactas. Ao lado de Kadafi, estão principalmente os mercenários estrangeiros com bons salários. A outra parte está dissolvida, os revoltosos. No lado da insurreição, milhares de pessoas tomam as armas do exército se organizando para acabar com a ditadura. A essas milícias armadas estão se unindo soldados e oficiais.
PERIGO PARA OS EUA

Políticos que ocupavam cargos no governo e diplomatas têm rompido com Kadafi. Muitos deles levaram toda a vida ao lado do ditador e só o abandonaram após a brutalidade de seu chefe diante das manifestações. Quando apareceram tentando montar um governo provisório, como fez o ex-ministro da Justiça de Kadafi, foram imediatamente desautorizados pela resistência.

Eis o verdadeiro problema enfrentado pelo imperialismo: a revolução pode derrubar Kadafi, destruir o exército, o povo se armar, mas não há clara oposição burguesa pró- imperialista.

Nestas condições, uma vitória das massas põe em perigo todo o controle imperialista de uma região sacudida pelo turbilhão revolucionário. Por isso, o imperialismo começou a intervir. Se realmente o imperialismo desejasse ajudar a resistência, teria entregado armas a ela. Mas o que o imperialismo quer é impedir o triunfo das massas líbias e impedi-las de controlar o país. O repúdio internacional ao massacre de Kadafi é utilizado pelo imperialismo para justificar uma intervenção armada.

Esta intervenção militar já começou: barcos de guerra dos EUA estão situados na costa da Líbia. Obama e Clinton estão planejando o fechamento do espaço aéreo do país em nome da ONU. Isso significaria que os aviões da Otan poderiam entrar na Líbia para destruir a aviação com o argumento de “proteger” a população civil de bombardeios.

O imperialismo, principalmente os EUA, começou a fazer declarações chamando a comunidade internacional a intervir para evitar um banho de sangue. Também está agitando o fantasma de que a Al Qaeda possa controlar zonas do país – mesmo argumento usado por Kadafi. Com essas declarações o imperialismo quer justificar o envio de soldados da ONU para “garantir a paz”.

Portanto, a ocupação da Líbia não está descartada e pode se utilizada num cenário de uma longa guerra civil neste país, ou quando Kadafi cair e a crise levar a um vazio de poder. Caso o imperialismo consiga levar a cabo uma ocupação, a Líbia poderá ser uma nova colônia como é o Haiti, hoje controlado por tropas a serviço do imperialismo.

Frente à intervenção militar imperialista na Líbia devemos saudar a iniciativa da resistência, que deixou claro que não vai aceitar nenhum tipo de intervenção. Em Bengasi, quando a resistência escutou as declarações de Hillary Clinton, grandes cartazes apareceram dizendo que não querem a intervenção dos EUA.

Para acabar com Kadafi os líbios podem e devem contar com a ajuda de todo o povo árabe, antes que o imperialismo possa intervir para impedir sua vitória. Há uma grande solidariedade vinda da Tunísia e do Egito. Agora é necessária a insurreição, além de alimentos e medicamentos, e também armas e munições para que se organizem milícias armadas árabes, desde o Egito e a Tunísia, para combater junto a seus irmãos líbios.

REPUDIAR INTERVENÇÃO

O triunfo da revolução na Líbia vai ser uma grande vitória da revolução árabe, que dará novo impulso às revoluções em curso e seguramente produzirá novas mobilizações em outros países. Pelas suas características, bem mais profundas ao destruir ao exército, a revolução líbia pode impulsionar a revolução árabe, pondo em questão o controle imperialista da região e, especialmente, os governos e regimes que tentam estabilizar seus países depois da queda dos ditadores.



Os trabalhadores e os povos do mundo devem estar ao lado da revolução líbia, contra a ditadura de Kadafi, e impedir que o imperialismo possa invadir este país. É necessário desmontar a campanha realizada nos países imperialistas que tenta justificar uma intervenção militar. É preciso se mobilizar contra os governos que preparam os planos de ocupação.
Devemos nos mobilizar em todos os países contra os planos imperialistas de derrotar a revolução do povo líbio!

Pelo triunfo da resistência!

Viva a revolução líbia!

Terça, 1 de março de 2011

Secretariado da Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional

www.litci.org

Evento discute impacto da copa no mundo no DF

Dia 12 de março, às 14:00 horas, participe do Seminário:


Copa 2014:



O Direito à Cidade e o Impacto dos
Megaeventos nas comunidades do DF

Mesa de Abertura:

José Cruz - jornalista esportivo, que mantém blog no UOL

Carlos Vainer - Professor de Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Rural da UFRJ

Gilda Carvalho - Procuradora dos Direitos do Cidadão

Tânia Battella - Arquiteta

Representante do MST (moderador)


Local: FENASPS - CONIC (Ao lado do Venancio V)

Organização: Comitê Popular da Copa no DF

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Centrais sindicais deixam o Senado antes da votação do mínimo

Publicação: 23/02/2011 21:38 Atualização: 23/02/2011 22:18

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2011/02/23/interna_politica,239493/centrais-sindicais-deixam-o-senado-antes-da-votacao-do-minimo.shtml



 (Paulo de Araújo/CB/D.A Press )

As caravanas de manifestantes das centrais sindicais abandonaram a galeria do Senado antes do início da votação das emendas do mínimo, na noite desta quarta-feira (23/2). Muitos chegaram por volta das 14h e acompanharam os discursos que antecedem a votação no Plenário. A maior parte dos manifestantes representavam a Central Sindical Popular (CSP) e a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas).
Os grupos deixaram o Senado após as 21h, antes dos senadores votarem as emendas ao projeto de Lei 1/11, que muda para R$ 545 o valor do salário mínimo - atualmente fixado em R$ 540.
Cerca de 100 pessoas, limite imposto pela polícia legislativa para proteger os senadores, levaram máscaras da presidente Dilma, camisetas e pequenas faixas, mas se manifestaram de forma tímida, com inícios de vaias aos senadores que discursavam em defesa do projeto do governo de reajustar o mínimo para R$ 545. A cada vaia, eles eram repreendidos pelo presidente da Casa, José Sarney.
A secretaria executiva da CSP, Neida Oliveira, disse que os manifestantes não iam ficar até o final da sessão, por já saber que a proposta do mínimo do governo será aprovada. "Fizemos nosso protesto, mas a luta não termina aqui", disse. Eles foram ao Senado para reivindicar o aumento do salário com base no mesmo índice dos parlamentares de 62%. Segundo Neida, a proposta foi levantada como uma forma de protesto e para estimular o debate e reflexão da sociedade.
Manifestação limitada

Para proteger os senadores da base governistas de vaias e de xingamentos, como ocorreu durante a votação do reajuste do salário mínimo na Câmara, a Polícia Legislativa do Senado foi escalada para fazer uma triagem das pessoas autorizadas a entrar na galeria do plenário. Os representantes de entidades sindicais que entraram no Senado para acompanhar a votação foram vigiados de perto e não puderam portar faixas. Os policiais permitiram apenas manifestantes com camisetas das centrais sindicais.
As galerias receberam no máximo 100 pessoas. Para manifestar apoio ou rejeição durante o discurso dos senadores, os representantes de entidades só poderão balançar as mãos, em movimento simbólico. Quem se manifestasse por gritos ou criasse confusão nas galerias seria imediatamente expulso do Senado.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Militantes da CSP-Conlutas fazem protesto em votação no salário mínimo no Senado

A votação do salário mínimo pelo Senado nesta quarta-feira (24) contou com protesto organizado pela Central Sindical Popular, Coordenação Nacional de Lutas (CSP-Conlutas). Os participantes mostraram a indignação contra o salário mínimo de R$ 545,00, que foi aprovado na Câmara dos Deputados na semana passada e hoje foi aprovado no senado. Na mesma lei também foi aprovado um artigo que permite o presidente da república determinar o mínimo por decreto até 2015.

No Senado, que é um local teoricamente público, ninguém pode tirar fotos e as manifestações populares são dificultadas. Vários militantes já foram reprimidos pela polícia legislativa, que existe especialmente para proteger a casa. Um exemplo é a época em que o movimento hora Sarney foi impedido de se manifestar. Mas na votação do mínimo os militantes da CSP-Conlutas conseguiram se manifestar, enchendo as galerias destinadas ao público.

Apesar do teatrinho montado por setores como a Força Sindical, que queria um salário de R$ 560,00 e o senado gaúcho Paulo Paim, que também defendia o valor mas depois voltou atrás, o governo impôs sua vontade. A distribuição de cargos enquadrou os parlamentares da base aliada.

Propor um mínimo de R$ 560,00, ou um pouco maior que isso, não resolve a injustiça da política salarial aplicada. O Dieese, instituto de pesquisa ligado ao movimento sindical, calcula que o salário mínimo ideal deveria ser de aproximadamente R$ 2.200,00. A CSP-Conlutas defende que o aumento do salário mínino tenha um aumento de 62%, igual ao que os parlamentarem deram para eles mesmos no final do ano passado.

O aumento foi de pouco mais de 6% em relação ao mínimo atual. Bem menos do recente aumento na cesta básica e do índice que mede o preço do aluguel. Este aumento mostra a política do governo em relação à crise econômica: cortar na carne do povo para manter o pagamento a banqueiros e grandes empresários, que lucram cada vez mais.

A maioria das direções do movimento sindical cumpriu seu papel de capacho do governo e aprovou o salário de arrocho. Mas ainda existe o setor independente do governo, do qual a CSP-Conlutas faz parte. Estudantes, trabalhadores e representantes do movimento de sem-tetos conseguiram entrar no senado para desmascarar a cara-de-pau de quem ganhar R$ 27 mil só de salário (sem contar outros benefícios) acha que R$ 545,00 para quem trabalha já está muito bom.

Fala completa de Fábio Bosco na palestra sobre o Egito - SP 17/02/11 -

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Palestra sobre o Egito em SP - 17/02/11

Protestos na Líbia pedem o fim da ditadura Kadafi

A ditadura líbia de Muamar Kadafi, há 42 anos no poder, pode ser o próximo regime a cair no mundo árabe. Há seis dias, intensos protestos foram registrados em todo o país contra o ditador. A reação do governo foi extremamente sanguinária. Organizações dos direitos humanos estimam entre 230 a 400 o número de pessoas mortas pelas forças de repressão pró-regime.




Os protestos contra Kadafi ganharam força na semana passada, quando um ativista e advogado dos direitos humanos foi preso. Na quinta-feira o leste do país foi tomado por uma "dia de fúria", em homenagem a uma manifestação realizada em Bengasi em 2006, na qual cerca de uma dúzia de pessoas foi morta. O exército atirou nos manifestantes provocando inúmeras mortes. Localizada na região leste da Líbia, Bengasi é a segunda cidade do país e o epicentro das atuais manifestações.



No dia seguinte, houve novos protestos durantes os funerais da vítima do dia anterior. Mais uma vez, as forças militares leais a Kadafi despejaram suas balas sobre a população. Imagens dos protestos gravados pelos próprios manifestantes mostram grupos armados perseguindo pessoas que vão caindo depois de serem atingidas pelas balas.



O banho de sangue provocou mais fúria da população. Ao longo do final de semana, tumultos violentos se espalharam por todo o país. A revolta chegou a Musratha, terceira cidade do país, e o mais importante: chegou a capital Trípoli nesta última segunda-feira – considerada um reduto do regime. Inicialmente os manifestantes estavam reivindicando reformas e o fim da corrupção. Contudo, reivindicam agora o fim do regime e a saída de Kadafi.



Apesar da sangrenta repressão do governo, as manifestações não param de crescer. Por outro lado, a ditadura deu sinais de que vai endurecer a repressão. À TV estatal do país, o filho do ditador Seif al-Islam Kadafi disse que seu pai vai lutar até que "último homem esteja de pé" e que o exército vai garantir a segurança da nação a qualquer custo. A provocação de Seif al-Islam Kadafi provocou ainda mais ódio entre as massas.



No entanto, há sinais evidentes de elementos de crise no interior do exército e do regime. Há informações de que soldados do exército passaram a apoiar os manifestantes. Em Bengasi, há informações de que manifestantes se apoderaram de veículos militares, inclusive tanques e grandes quantidades de armas e munições do exército. No entanto, o regime ainda conta com um forte aparato repressivo. Há dezenas de milícias armadas que são lideradas por parente ou gente de confiança de Kadafi.



Por outro lado, diplomatas e membros do governo líbio também estão abandonando o barco. O embaixador líbio na Índia, Ali Al-Issawi, deixou o cargo em resposta à violência do governo. O embaixador da Líbia junto à Liga Árabe, Abdel Moneim al-Honi, disse que está se unindo à revolução. O embaixador líbio na China também renunciou. O ministro da Justiça líbio, Mustafa Abdeljalil, também se demitiu nesta segunda-feira em protestos a sangrenta situação do país.



Em Trípoli, a sede central do governo líbio e o prédio que abriga o Ministério da Justiça foram queimados, segundo a rede de TV Al Jazira. O prédio é o local onde o Congresso Geral do Povo, ou Parlamento, se reúne.



Um jornalista da Al Jazira sugere que regime se deteriora a cada momento. "Praticamente não há forças da ordem. Não se sabe onde foram. Esta situação favorece os rumores alarmantes", afirmou o jornalista Nezar Ahmed da Al Jazira sobre a situação da capital. O jornalista disse que há apenas um cordão policial em torno da sede da rede de televisão estatal Libya TV. Ele também mencionou uma possível fuga de Kadafi do país.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

As Mobilizações Precisam Continuar!

LIT-QI: Mubarak caiu! Grande Triunfo da Revolução no Egito! Contra a transição impulsionada pela burguesia e o imperialismo, continuar as mobilizações!

Declaração da Liga Internacional dos Trabalhadores sobre a revolução no Egito que derrubou o ditador Hosni Mubarak

LIT-QI


• A gloriosa revolução egípcia deu um exemplo histórico a todos os povos do mundo e um novo e decisivo passo na expansão da revolução árabe. Hosni Mubarak, o ditador odiado e o mais importante agente do imperialismo e de Israel na região foi obrigado a sair pela ação determinada das massas durante 18 dias consecutivos. A derrubada desse ditador é, por isso, um enorme triunfo das massas egípcias e árabes.


Comemoração nas ruas do Cairo após a queda de Mubarak

A revolução colocou o regime contra a parede
O centro desse gigantesco processo esteve na Praça Tahrir (ou Libertação) no centro da capital, Cairo, que se converteu no centro dos protestos que percorreram todo o país. Milhões de egípcios exigiram “Fora Mubarak” e o regime. A ocupação da praça se tornou a expressão do poder do povo mobilizado, , em oposição ao regime e a suas instituições que não conseguiam mais governar. O governo mandava acabar com a ocupação da praça e ninguém obedecia; decretou toque de recolher, mas as massas não lhe davam ouvidos. O processo galvanizou o país inteiro, e pudemos ver as massivas manifestações nas grandes cidades como Alexandria, Suez, Port Said e se estendendo a todos os cantos do país.

Com o país paralisado, o governo orquestrou uma tentativa contra-revolucionária de ataque violento contra os manifestantes, com o objetivo de derrotá-los e esvaziar a Praça Tahrir. Apesar da passividade do Exército e da covardia de um ataque de bandos armados contra manifestantes desarmados, os ocupantes da Praça Tahrir não se deixaram intimidar e expulsaram corajosamente os bandos do regime, compostas por policiais e mercenários.

Ao mesmo tempo em que perpetrava este ataque contra o movimento revolucionário, o governo chamou ao diálogo as forças de oposição toleradas e com a participação dos seguidores de El Baradei e da Irmandade Muçulmana. Apesar de estas forças não terem chegado a acordo com o regime, a sua participação significou de fato a legitimação de uma tentativa de transição negociada. Como resultado foram apenas anunciadas "reformas constitucionais" até as eleições de setembro e promessas de "concessões" vazias. As massas não acreditaram nessas manobras e continuaram exigindo a imediata saída de Mubarak, mantendo a ocupação da Praça no Cairo e principais cidades do país.

Já nos últimos dias a classe operária e os trabalhadores começaram a intervir de forma decisiva com sua mais poderosa arma: a greve. Expressão disso foi a entrada em cena dos trabalhadores do canal de Suez, dos trabalhadores da saúde e dos transportes no Cairo, bem como dos trabalhadores das telecomunicações. Até mesmo os trabalhadores de órgãos de imprensa como o Al Ahram resolveram parar contra o regime. Esta onda de greves que juntava reivindicações por melhores condições de vida, com a exigência de saída de Mubarak, foi paralisando a economia egípcia de forma cada vez mais comprometedora para os interesses da burguesia nacional e internacional. Os trabalhadores demonstravam assim, que enquanto Mubarak estivesse no poder eles iriam até o limite para conseguir o que queriam.

Frente a tudo isto, o Exército foi incapaz de reprimir diretamente as mobilizações e se manteve assistindo as marchas massivas e a ocupação da Praça. O contato constante dos soldados e baixa oficialidade com os manifestantes aprofundaram os elementos de crise no Exército, o que foi tornando cada vez mais perigosa uma possível ordem da cúpula de repressão em massa, que poderia ter como resultado imediato a divisão do Exército frente à força revolucionaria do povo egípcio.


Ativista egípcio carrega bandeira manchada de sangue

Mubarak é obrigado a renunciar
Frente à insustentável manutenção de Mubarak, o imperialismo começou a procurar articular uma "transição segura", que garantisse um "governo leal", cuja tarefa fosse "estabilizar" o país, mantendo as instituições centrais do regime, com algumas concessões democráticas. O imperialismo apostou na cúpula do Exército para levar a cabo essa tarefa, tendo em conta a sua ligação orgânica ao imperialismo, a sua importância como pilar fundamental do regime e força repressiva, e também pelo certo prestígio que ainda mantinha entre as massas.

Após vários anúncios que apontavam no sentido da renúncia na noite de 10 de fevereiro, Mubarak fraudou a expectativa da nação com um discurso que, em que em vez de anunciar seu retiro, anunciava a sua manutenção no poder com a transmissão de alguns poderes para Suleiman.

A reação furiosa da população na Praça Tahrir no Cairo e em todo o país apontava a uma radicalização dos protestos que se esperavam ainda maiores para o dia 11. Na mesma noite, os manifestantes cercaram espaços centrais como o palácio presidencial e estação estatal de TV, que estavam protegidos pelo Exército. Esta situação se foi tornando cada vez mais alarmante, particularmente para a cúpula das Forças Armadas, pois colocava a possibilidade real de enfrentamentos dos manifestantes com os organismos de segurança. Tendo em conta os importantes elementos de crise no Exército, não havia qualquer garantia que uma tentativa de tomada destes edifícios pela população pudesse ser freada pelos soldados.

Com a ampliação massiva dos protestos e a perda definitiva do controle por parte do regime, Suleiman foi obrigado a vir à televisão para anunciar telegraficamente a renúncia de Mubarak e a entrega da condução do país ao Comando Central do Exercito. A saída de Mubarak foi uma conquista enorme, imposta pelas mobilizações das massas e por isso sentida com enorme alegria e emoção.

O centro do acordo é a estabilização burguesa através do Exército
Compartilhamos a enorme e justa alegria que perpassa as massas egípcias e de todo o mundo por haver se livrado de um ditador assassino e corrupto. Mas queremos fazer um alerta: o Comando do Exército egípcio que assumiu o poder, aparecendo como uma suposta mudança frente à liderança de Mubarak, sempre foi a espinha dorsal da ditadura egípcia.

Na verdade, o alto comando do Exército é proprietário de várias empresas em diferentes setores da economia (controlando cerca de 30 a 40% da economia do país), tendo-se enriquecido à sombra da ditadura, à custa da fome e miséria do povo.

Além disso, o Exercito é o pilar central do regime de Mubarak e cumpre um papel fundamental como aliado estratégico dos EUA e Israel na região, que se expressa diretamente na ajuda militar de cerca de 2 bilhões de dólares anuais dos EUA a esta instituição.

Pôde se ver esse papel das Forças Armadas quando deram cobertura às hordas pró-Mubarak, ao permitir que entrassem na praça para espancar manifestantes nos dias 2 e 3 de Fevereiro. Com a crise provocada pelo curso da revolução, a cúpula militar tenta agora assumir diretamente o processo, livrando-se da figura incômoda de Mubarak para manter seus privilégios e nenhuma mudança significativa no país. A maior expressão disso é a indicação de Mohamed Hussein Tantawi, Ministro da Defesa dos últimos 20 anos de Mubarak, para encabeçar o novo governo até as próximas eleições.

A política que o imperialismo em conjunto com o Exército quer impor àqueles que se mobilizaram durante 18 dias para tirar Mubarak e acabar com a ditadura é a aceitação uma abertura democrática controlada, em que os principais pilares do regime repressivo se mantêm, e que se garante o cumprimento dos acordos políticos, econômicos e militares com o imperialismo e particularmente com Israel.

Nesse processo de abertura controlada, os setores da oposição burguesa preparam-se para cumprir um papel fundamental. Nesse sentido, o setor encabeçado por El Baradei e a Irmandade Muçulmana já deram declarações favoráveis para compor com os militares um governo de unidade nacional que permita uma transição negociada até as próximas eleições e aceitam que se mantenham os acordos com o imperialismo e Israel.


Manifestante sobe em tanque de guerra durante protesto

Só a mobilização independente das massas pode levar adiante a revolução egípcia!
A grande vitória alcançada pela revolução egípcia com a derrubada de Mubarak é apenas o começo e não o fim da luta contra opressão do povo daquele país.

O imperialismo e a burguesia egípcia estão tentando impedir que o povo alcance uma vitória maior do que aquela que já conseguiu, evitando que a ruptura com o anterior regime se estenda. A maior expressão disso é que a proposta de novo governo é encabeçado por um homem estreitamente ligado a Mubarak e de plena confiança do imperialismo americano. A cúpula do exército, comprometida em todos esses anos de ditadura, não vai querer que se punam os crimes, que se julguem e prendam os repressores e torturadores, nem que se firam os interesses econômicos dos grupos que floresceram à sombra de Mubarak. Não vai querer a liberdade para que se possam denunciar os crimes da ditadura nem para que os trabalhadores tenham liberdade sindical e direito de greve que ameaçariam os lucros fabulosos desses grupos aos que a eles são vinculados. Um governo integrado pelos homens de Mubarak é um obstáculo à revolução!

A ditadura matou e torturou milhares de opositores. Durante os 18 dias de mobilizações, 300 manifestantes perderam a vida. Para romper de vez com a era Mubarak é preciso, por isso, dissolver os aparatos repressivos que mantiveram pelo terror 30 anos de ditadura e punir os responsáveis pelas prisões, torturas e mortes daqueles que lutaram pelos seus direitos. Pela dissolução de todos os aparelhos repressivos! Punição a todos os responsáveis pelas torturas e mortes.

É necessário também continuar a mobilização para garantir imediatamente a libertação de todos os presos políticos e totais liberdades de associação sindical, de organização partidária e imprensa.

Sabemos que há uma divisão de classe nas fileiras do Exército. A confraternização e a incapacidade dos soldados e oficialidade média para reprimir as mobilizações são expressão disso. É necessário que os soldados e a oficialidade média tenham as mais amplas liberdades democráticas para se organizarem de forma independente das suas cúpulas, e se juntar às reivindicações e anseios da classe trabalhadora egípcias que não são os do imperialismo nem os dos generais de Mubarak.

Pela dissolução imediata do Parlamento fraudulento! Para acabar com o regime de Mubarak, não basta fazer reformas parciais na Constituição, como estão propondo o novo governo e a oposição burguesa! Pela convocatória de uma Assembleia Constituinte soberana com plenos poderes, sem ninguém que tenha sido parte dos organismos do regime de Mubak! Assembleia constituinte para romper os acordos com o imperialismo, para expropriar os bens de Mubarak e do conjunto do antigo regime, e construir um Egito socialista ao serviço dos trabalhadores e do povo!

A opressão do povo egípcio não se resume à ditadura e está ancorada na exploração e desemprego que condenam à fome e à miséria a maioria da população. A revolução não coloca em causa somente o atual regime, mas afeta diretamente o imperialismo dominante, sendo objetivamente uma revolução operária e socialista.

Para uma ruptura de fundo com o antigo regime é, por isso, fundamental romper os pactos militares e políticos com o imperialismo e Israel. Fora o imperialismo do Egito! Pela imediata e plena abertura da fronteira com a Faixa de Gaza!

Por um aumento imediato e geral dos salários que corresponda ao custo da cesta básica! Por um plano econômico de emergência e a redução imediata da jornada de trabalho sem redução de salário de forma a garantir trabalho para todos! Pela expropriação das grandes empresas nacionais e multinacionais e do sistema financeiro!


A única forma de garantir os anseios da juventude é a continuidade da revolução

A condição indispensável para cumprir os anseios das massas de construir um novo Egito, é que as mobilizações independentes continuem. Foram as mobilizações das massas e não o Exército que derrubaram Mubarak. Chamamos por isso as massas egípcias a não depositarem o destino da sua revolução nas mãos do Exército e a confiarem nas suas próprias forças.

A juventude, que cumpriu um papel extraordinário na vanguarda dessa mobilização e mostrou um heroísmo ao permanecer na praça todos esses dias apesar da repressão, deve continuar organizada e exigir as conquistas! A classe trabalhadora, além de estar no centro do combate contra Mubarak, já mostrou que pode parar o país.

A partir da vitória dos que ocuparam e mantiveram a Praça Tahir, está colocada a necessidade de continuar e impulsionar a mobilização e organização independente dos trabalhadores e jovens, de chamar um encontro urgente dos trabalhadores e do povo que discuta um programa o serviço das massas, oposto ao da cúpula militar e ao da oposição burguesa, e tome o poder em suas mãos para levá-lo a cabo.

É preciso desenvolver a revolução árabe!
Depois da Tunísia, a revolução árabe teve um grande triunfo com a derrubada de Mubarak. Vamos estendê-la a toda a região! Pela derrubada das demais ditaduras e monarquias reacionárias do mundo árabe e do Oriente Médio!

Mubarak foi um esteio da ordem imposta pelo imperialismo na região, cujo centro é o Estado de Israel. A revolução árabe não será triunfante enquanto o Povo Palestino estiver sob o tacão de Israel. Todo apoio ao Povo Palestino! Pela destruição do Estado de Israel!

Esse processo revolucionário tem também como desafio enfrentar os regimes ditatoriais teocráticos, como o Irã, que reprimiu durante as mobilizações contra a fraude ano retrasado e que mantém a exploração do seu povo, apesar do choque eventuais com o imperialismo.

A revolução árabe coloca na ordem do dia recuperar a unidade da nação árabe na perspectiva de construir uma grande Federação das Repúblicas Socialistas Árabes!

São Paulo, 11 de Fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Abaixo as mesas de negociação permanentes!

O governo Agnelo criou uma mesa de negociação permanente com as entidades sindicais dos servidores do seu governo com o objetivo de discutir as questões trabalhistas. O objetivo, com essa mesa, é substituir a mobilização do conjunto dos trabalhadores por um grupo de sindicalistas e representantes do governo que se reunirá por tempo indeterminado, sem objetivos muito claros.



Essas mesas já foram implantadas no governo Lula para os servidores federais, e o resultado é que não se teve nenhum resultado! Nenhuma reivindicação dos servidores foi atendida pelas mesas de negociação permanente e dezenas de grupos de trabalho que foram criados.


Os baixos reajustes que os servidores federais conquistaram nos últimos anos foram fruto de duras greves e mobilizações. O governo usa as mesas para justificar que está negociando e fazer com que as greves sejam questionadas na justiça, com punição para os grevistas em muitas das vezes.


Essas mesas são usadas pelos diversos governos federal, estaduais e municipais para cooptar o movimento e atrelar as entidades sindicais ao Estado, eliminando a independência nas negociações.


A primeira luta que essas mesas de negociação tentam desviar é a luta dos professores aprovados em concurso público, e que foram “desconvocados” no ínicio deste ano. Os mais de 1100 professores correm o risco de serem ignorados, uma vez que o governo acenou que contratará apenas 400, dos 1500 inicialmente convocados.


Não podemos depositar nenhuma confiança nessas mesas de negociação do Agnelo. Essas mesas permanentes de negociação podem parecer uma vitória, mas ainda vão se voltar contra os trabalhadores. Somente com lutas e mobilizações vamos alcançar nossas reivindicações. Queremos sentar para negociar com o governo, e com data marcada para começar e concluir, e com pautas de reivindicações bem definidas.

Direto da praça Tahrir - Um brasileiro no Egito



umbrasileironoegito.wordpress.com

@diretodoegito

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Não ao aumento dos deputados

Baixe os materiais da campanha Não ao Aumento dos Deputados

CARTAZ

PANFLETO

Na posse dos deputados, manifestantes protestam contra aumento abusivo dos salários

Protesto exigiu o mesmo aumento no valor do salário mínimo

 
Enquanto os deputados tomavam posse do novo mandato no Congresso Nacional, do lado de fora manifestantes protestavam contra o aumento abusivo dos salários dos parlamentares, aprovado no final da última legislatura.



Cerca de 200 manifestantes, entre ativistas da CSP-Conlutas, ANEL, PSTU, Rede Estudantil Classista, entre outros que compõem o “Comitê contra o aumento dos Parlamentares de Brasília”, expressaram indignação frente ao aumento de 62%, que elevará os salários para quase R$ 27 mil.



Os manifestantes saíram da rodoviária de Brasília e percorreram em passeata até o Congresso Nacional. Com faixas e cartazes, os manifestantes compararam o valor do salário dos deputados com o salário mínimo que o governo admite dar, de apenas R$ 545.



Um manifesto foi distribuído exigindo a imediata revogação do reajuste aos deputados, e um aumento de 62% no salário mínimo, rumo ao mínimo definido pelo Dieese. O texto denunciava ainda o corte no Orçamento anunciado pelo governo a fim de fazer superávit primário.

“Embora pequeno esse grupo aqui representa melhor o povo brasileiro do que quem está lá dentro. A maioria da população está muito irritada com isso”, disse Zé Maria, dirigente da CSP-Conlutas e do PSTU, à imprensa. Logo depois, o grupo foi até o Ministério do Trabalho, onde ocupou todo o saguão de entrada, exigindo reajuste digno ao salário mínimo.
 
 

Assim que terminou o ato, Zé Maria participou de uma reunião com a OAB a fim de definir novas ações na Justiça contra o aumento dos deputados.

Além do ato em Brasília, também ocorreram manifestações no Rio de Janeiro, Fortaleza e Curitiba, enquanto ocorria a posse dos deputados estaduais. No twitter, internautas digitaram a tag #contraoaumento como forma de protesto.


Contra o aumento do salário Mínimo - manifestação em Brasília