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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

PSTU participa da Parada do Orgulho LGBT de Brasília

Neste domingo, 23/09, à tarde aconteceu a Parada do Orgulho LGBT de 2012 de Brasília, que percorreu o Eixão Sul até o Museu Nacional, passando pela Rodoviária do Plano Piloto. Distribuindo panfletos, portando bandeiras do partido e faixas com palavras-de-ordem, as militantes e os militantes do PSTU, LGBTs e heterossexuais, denunciaram que a homofobia mata e exigiam a aprovação imediata do Projeto de Lei 122 em seu conteúdo original, se transformando em um dos destaques da parada.

Houve também a denúncia dos políticos homofóbicos, e de seu discurso eleitoralista de defesa pública da não criminalização da homofobia, enquanto preservação da liberdade de religião e credo, e com isso, atacam o projeto de lei 122, conseguindo até agora mutilar o texto, ao ponto de tornar-se inócuo. Por isso que o PSTU defende sua versão original, entendendo que o direito à liberdade de religião e credo não pode ser álibi para intolerância, ignorância e discurso de ódio, seja contra os LGBTTs, ou mesmo, negros, mulheres ou fiéis de outras crenças e ateus. Por sua vez, o PSTU defende o caráter laico do Estado, preservando sua independência total perante as lideranças religiosas e os dogmas.

O PSTU também criticou o discurso de conciliação e adaptação do movimento e lideranças LGBTT ao governos, que vem aumentando nos últimos anos, especialmente após o governo Lula, sem, contudo, que houvesse redução da violência e episódios de homofobia e implantação de políticas públicas consequentes para esse segmento. Como também, a adesão do movimento à lógica de mercado, apoiando o chamado "mercado pink" ou "mercado GLS", que na verdade, está a procura de lucros, e não de luta por direitos, especialmente os/as LGBTTs trabalhadores e pobres.

O PSTU defende que a luta contra a homofobia e por direitos aos LGBTTs se unifique com todas as lutas contra opressão, seja ela, o machismo, o racismo, a intolerância religiosa, a xenofobia, etc, e se alie a luta contra a exploração capitalista, verdadeiro motor para preservação e ampliação das opressões.

Veja mais fotos do PSTU na Parada:

domingo, 23 de setembro de 2012

Parada do Orgulho LGBTTT de Brasília - "Nesta Parada Celebre o Orgulho de Combater a Homofobia!"

Panfleto do PSTU/DF à Parada LGBTTT de Brasília de 2012 - domingo, 23 de setembro - Eixão Sul

Nesta Parada Celebre o Orgulho de Combater a Homofobia!
A criminalização da homofobia tem que ser de verdade! 

  • Pela aprovação originado PLC 122 !
  • Ampliação da Lei Maria da Penha
  • Revogação do veto do kit "Escola sem Homofobia"
  • Assistência integral às vítimas de violência e investigação e punição para todos os responsáveis de crimes homofóbicos



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Zé Maria em Brasília: "Crise econômica e as lutas dos trabalhadores pelo mundo"


Palestra com Zé Maria de Almeida, presidente nacional do PSTU com o tema "Crise econômica e as lutas dos trabalhadores e juventude em todo o mundo".

Local: Sede do PSTU do Distrito Federal, 12/09, quarta-feira às 19h - Setor Comercial Sul, Quadra 08, Bloco A, Brasília.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

É hora de derrotar a direita timotista. Voto crítico na Márcia no segundo turno, mas nenhum apoio ao seu projeto politico.



As eleições para reitor da UnB chegam ao segundo turno, depois de um primeiro turno muito prejudicado pelo esvaziamento da universidade e em um cenário político conturbado, marcado por manobras escusas e antidemocráticas da diretoria da ADUnB que acabou dando fim a greve docente na UnB.

No primeiro turno das eleições, a chapa 88, encabeçada por Sadi Dal Rosso e Maria Lúcia Leal (Baiana), foi a única a apresentar um projeto político para a UnB capaz de resolver os problemas das condições de ensino e trabalho cada vez mais precárias. A chapa 88 também foi a única que apresentou um projeto coerente para colocar a UnB a serviço dos trabalhadores e dos movimentos sociais e como instrumento de transformação social e política da realidade brasileira.

No segundo turno concorrerá a chapa 80, de Márcia Abrahão, e a chapa 86, de Ivan Camargo. A chapa de Ivan Camargo, ex-decano de graduação da gestão Lauro/Timothy, vencedora do primeiro turno, representa o setor mais conservador e reacionário da UnB, que por quase 20 anos esteve a frente da reitoria. As gestões desse grupo, conhecido como timotistas (referência ao ex-reitor Timothy Mulholand, derrubado pela ocupação da reitoria de 2008), ficaram marcadas pelo aprofundamento da privatização da UnB, pela proliferação de cursos pagos, pela tentativa de privatizar o RU, pela truculência, pela falta de democracia e diálogo e pelos inúmeros escândalos de corrupção. Foi nas gestões do grupo timotista que as fundações privadas ganharam força, passando a determinar o funcionamento da universidade segundo os interesses comerciais e o acúmulo de privilégios de um grupo de professores e servidores da UnB.

sábado, 2 de junho de 2012

Ser Livre é Coisa de Vadia? Então Somos Todas Vadias!

PARA ACABAR COM A OPRESSÃO E COM A EXPLORAÇÃO DAS MULHERES!

No último sábado, dia 26 de Maio, foi realizada em diversas cidades do País, a 2° edição da Marcha das Vadias. Com o objetivo de denunciar a violência sofrida pelas mulheres, a Marcha tem origem no “SlutWalk”, um protesto mundial que teve início no Canadá, após um policial declarar que, para evitar estupros, as mulheres deveriam deixar de se vestir como “vadias”.
Em Brasília, aproximadamente 2.000 pessoas, entre elas, mulheres, homens, gays, lésbicas e crianças, participaram da Marcha. Com muita irreverência e animação as manifestantes denunciaram a violência e a opressão machista que sofrem no dia a dia, e entoaram em uma só voz o grito de liberdade. Palavras de Ordem como “Te cuida, te cuida, te cuida seu machista, a América Latina vai ser toda feminista!” e “O corpo é meu, a cidade é nossa!” deram o tom da Marcha e demonstraram a disposição de todas as mulheres em combater o machismo.

Não diga à elas o que vestir! Diga a eles para não estuprar! A Situação da metade da classe trabalhadora!
Os dilemas da sexualidade, os padrões de estéticas, a violência dentro e fora de casa, a opressão no trabalho, estão fazendo com que cada vez mais mulheres despertem para as lutas em busca de direitos, respeito e liberdade. Sabemos da importância das tarefas de libertação das mulheres, mas temos que dar ênfase, também, ao papel de exploradas que muitas cumprem na sociedade capitalista. O capitalismo se utiliza da opressão para aumentar a exploração da mulher.
Os dados do PNAD (IBGE), publicados em setembro de 2010, demonstram bem a situação de exploração das mulheres na sociedade. Segundo os dados, elas representam 46% do mercado de trabalho, são a maioria dos empregados da informalidade, representam mais da metade (53%) daqueles que ganham até um salário-mínimo e estão entre os mais pobres, representando 70% deste grupo. Além disso, têm remuneração média de até 30% a menos que os homens para exercerem os mesmos cargos, chegando a ganhar até 57% menos em algumas cidades do País.

As mulheres trabalhadoras, dos bairros pobres, são as que mais sofrem com a violência sexual e com a criminalidade, pois a violência urbana assola cada vez mais a periferia das cidades. Também são elas as que mais sofrem com a violência doméstica, pois, muitas vezes dependem economicamente do seu companheiro.

Por isso, avaliamos que a situação da mulher na sociedade é produto de fenômenos econômicos e estruturais. Acreditamos que a luta contra o machismo não obedece apenas a fatores culturais, mas tem implicação e fundamento nas estruturas econômicas sociais que cimenta a opressão e a exploração capitalista.

E com Dilma a situação não mudou!
Com Dilma na presidência da república a situação das 97 milhões de mulheres brasileiras não mudou! Antes de Dilma ser eleita a 1º presidenta do país morriam 10 mulheres a cada dia, depois com Dilma no poder esse número não mudou. Infelizmente também não mudou a situação das debilidades de aplicação da lei Maria da Penha. No país são feitos mais de 1 milhão de abortos por ano. Dentre eles cerca de 150 mil mulheres morrem ou ficam com sequelas. Para essa realidade o governo oferece a criminalização. Para dar consequência a “Carta ao Povo de Deus” – editada no período de campanha da atual presidenta, foi editada a MP 557/2011 que prevê como solução a doação de R$ 50 para as mulheres grávidas poderem se deslocar no dia do parto. O que o governo deveria fazer era deixar de dar dinheiro para os banqueiros e investir na construção de bons hospitais nas periferias e descriminalizar o aborto, garantindo contraceptivos para não abortar, e aborto legal e seguro para não morrer.

Mulheres, levantem suas bandeiras!
Lamentamos o fato ocorrido na Marcha das Vadias de Brasília, em que um grupo que se diz da direção da Marcha, deliberou, arbitrariamente, por proibir a utilização de bandeiras, fossem elas de partidos, sindicatos, movimentos sociais e coletivos. Tamanha imaturidade, fez com que Professoras e Professores do ANDES – SN (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior), que estão em greve, travando uma luta expressiva por todo o País contra o sucateamento da Educação Superior, tivessem suas bandeiras abaixadas. Isso, porque a categoria de Professores é composta majoritariamente por mulheres que sofrem há anos com os salários defasados das universidades.

A total liberdade da mulher implica, necessariamente, no exercício de cada uma delas em expressar o que é seu de direito. Desde a escolha do que fazer com o seu corpo e da roupa que irá usar até nas escolhas das suas bandeiras políticas, tudo passa pelo seu direito de escolher o que é melhor pra si, de acordo com sua consciência.

O Machismo divide a classe trabalhadora e enfraquece sua luta contra o capitalismo. Essa opressão é responsável por afastar as mulheres dos sindicatos e dos partidos de luta. Ou seja, essa mesma opressão que subjuga e que inferioriza as mulheres é a mesma que cria obstáculos para que elas superem essa situação através da luta política.

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) luta pela incorporação das mulheres da classe trabalhadora nos sindicatos e no partido revolucionário, pois a tarefa de libertação das mulheres é uma tarefa do conjunto de nossa classe e é parte indissolúvel da luta pelo fim da exploração da sociedade capitalista.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A luta pelo serviço público da área agrária interessa a todos os brasileiros


Servidores do Incra e MDA paralisam novamente dia 28 de maio e exigem melhoria salarial e ampliação imediata do número de servidores


Almir Cezar, de Brasília (DF)



• O dia 28 de maio será marcado pela quarta paralisação conjunta convocada pela Cnasi (Confederação Nacional das Associações dos Servidores do Incra), Assinagro (Associação Nacional dos Agronômos do Incra) e Assemda. Em todos os escritórios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) os servidores dos dois órgãos vêm realizando protestos e chamando a população a apoiar sua luta em defesa de melhorias no serviço público da área agrária.

Melhorar o serviço público da área de políticas agrárias melhora também a vida de todos os brasileiros. Embora 70% dos alimentos venham de pequenos produtores, 80% das terras estão nas mãos dos latifundiários e do agronegócio. E, embora a metade dos pobres viva no campo, este abriga apenas 20% da população. Cerca de 80% dos homicídios no campo envolvem conflitos de terra e 70% dos libertos de trabalho escravo são de lavradores pobres. Se os servidores do Incra e MDA não fazem mais e melhor, é porque faltam recursos e servidores.

Os sucessivos governos investem cada vez menos e não valorizam os trabalhadores do serviço público federal. O Orçamento de 2012 para pagar os servidores é o menor dos últimos 17 anos se comparado ao que a União arrecada (4,13% do PIB). Em compensação, dá mais de R$ 60 bilhões em isenções de impostos aos industriais e paga aos banqueiros e especuladores quase metade do orçamento (47%) em juros da dívida pública. 

Ao contrário do que a mídia diz, o Brasil tem um dos menores índices de servidores por habitante. Antes do contingenciamento do governo de mais de 70% do orçamento do Incra e MDA, estavam previstos recursos ínfimos de menos de 0,25% do orçamento Federal de 2012 para despesas no desenvolvimento agrário. Enquanto isso, o agronegócio e os órgãos de política agrícola seguem tendo tratamento diferenciado pelo governo, que incentiva a produção para a exportação de commodities e aplica a falsa tese de apoio ao desenvolvimento de uma “nova classe média rural”.

Nos órgãos da área agrária a evasão de servidores é grande: são baixíssimos os salários (um dos piores do serviço público federal) e não se renova e amplia o quadro de pessoal. O Incra tem hoje metade dos servidores que há 20 anos, apesar de ter ampliado o público beneficiado. O número de famílias assentadas passou de 117 mil para aproximadamente um milhão, totalizando cerca quatro milhões de pessoas – encerrando, assim, um verdadeiro paradoxo entre um crescimento vertiginoso de serviço e uma redução drástica de meios para atendê-los de forma consequente.

Daqui a 2 anos, ainda no governo Dilma, mais da metade dos servidores estarão em condições de se aposentar, inclusive alguns por imposição legal da idade máxima (a chamada “compulsória”), e provavelmente o farão, diante das constantes e difíceis condições de trabalho e pelas ameaça de perdas de direitos previdenciários.

O MDA, passados mais de 15 de anos de sua instauração, ainda no governo FHC, nunca foi devidamente estruturado. Além de poucos servidores, conta com menos de 1/5 do quadro próprio, sendo que quase 30% já saíram após 2,5 anos do único concurso. A grande maioria da força de trabalho do órgão é composta de terceirizados, cargos comissionados e consultores. E em alguns casos os servidores ganham menos que a média salarial da iniciativa privada, e a maioria está com sobrecarga de trabalho, afetando o atendimento da população rural e pondo em risco até a legalidade dos processos. 

Luta pelo desenvolvimento agrário
Na prática, ambos os órgãos estão sendo sucateados e a política de reforma Agrária conduzida à inviabilidade. Por essa situação, os servidores dos órgãos da área agrária estão luta na defesa do desenvolvimento agrário. É uma luta pela defesa da agricultura familiar, reforma agrária, regularização fundiária e desenvolvimento rural sustentável. Sua trincheira é o serviço público, onde pretendem estruturar os dois órgãos estatais da área agrária para atender as populações pobres do campo e promover o desenvolvimento nacional e a justiça social. E entendem que para isso, é preciso lutar por melhoria salarial e por mais servidores.

O movimento dos servidores esperava que a administração do MDA se somasse à luta, se fazendo presente nas mesas de negociação com o centro do governo e fornecendo dados sobre o quantitativo de servidores necessários para estruturação do órgão. Contudo, resposta da administração segue cheia de evasivas, embora os sucessivos ministros à frente do MDA sejam, desde o início do governo Lula, de uma corrente da esquerda do PT com fortes ligações com o movimento social.

Essa omissão é criticada pelos movimentos sindicais e populares do campo, em especial o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-terra), Contag (Confederação dos Trabalhadores da Agricultura) e Fetraf-Brasil (Confederação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar) que, durante o “Grito da Terra” e o “Abril Vermelho”, manifestaram seu apoio à pauta dos servidores. Inclusive, pressionando a Casa Civil e Secretaria Geral da Presidência, conseguiram uma reunião exclusiva do Ministério do Planejamento para o movimento dos servidores, contudo, também até o momento sem resultados concretos às reivindicações. Embora se prometa resposta em nova reunião para o dia 31 de maio.

Assim, os servidores do MDA e Incra seguem em campanha. Realizaram até agora três paralisações de advertência ao governo, incorporando-se às mobilizações da campanha salarial unificada dos servidores públicos federais, encabeçada pela Condsef, Cnesf e 3 centrais sindicais, entre elas a CSP-Conlutas. Realizam de maneira combinada atos setoriais e em conjunto com o movimento geral dos SPF’s, tanto em Brasília quanto pelas capitais e grandes cidades.

No dia 4 de junho, véspera da Marcha Nacional a Brasília, convocada pelo Fórum Nacional de Entidades dos SPFs, haverá uma plenária nacional dos servidores do Incra e MDA, com delegados eleitos pelos estados, para votar novos rumos do movimento e apontar pela construção da greve geral unificada, provavelmente a partir do dia 11 de junho, em conjunto com as demais categorias do serviço público federal.

A paralisação do dia 21 de maio
Na última paralisação setorial, na segunda-feira dia 21 de maio, os servidores estiveram parados em Brasília e em todo o país. Por volta das 11h, os servidores de Brasília foram até o MDA cobrar uma reunião com o ministro para que o mesmo nos desse uma reposta ao Ofício Conjunto das entidades protocolado no início de abril.

Cerca de 60 servidores do INCRA e MDA saíram do edifício Palácio do Desenvolvimento, sede do Incra e da maioria das secretarias do MDA, apelidada pelo movimento de Palácio do “Subdesenvolvimento”, subiram o Bloco “A” da Esplanada dos Ministérios e exigiram que a reunião fosse com o ministro Pepe Vargas e não com seu chefe de gabinete, conforme estava sendo proposto pela assessoria do MDA.

Depois de muita pressão, clima tenso, o MDA concordou em receber dois representantes das entidades presentes (ASSINAGRO, CNASI, ASSERA-Brasília, ASSEMDA e SINDSEP-DF) numa reunião de 15 minutos. Registre-se que a assessoria e a chefia de gabinete do MDA classificaram o ato democrático dos servidores como uma invasão, inclusive colocando segurança armada para impedir a entrada/permanência dos servidores no 8º andar. 

Os representantes das entidades bem como o conjunto dos servidores rebateram de pronto as alegações, pois não se tratava de uma invasão, mas sim de um ato democrático de servidores da casa, devidamente identificados com crachá, e que reivindicavam reunião com o Ministro.

Durante a reunião, foi cobrada uma ação mais eficaz do MDA, haja vista a reunião marcada para o dia 31 com o no Ministério do Planejamento (MPOG). O ministro rebateu dizendo que “está fazendo seu papel na defesa dos servidores e dos demais assuntos afeitos ao MDA/INCRA”. As entidades cobraram um papel mais efetivo do MDA com o envio de Aviso Ministerial em defesa da pauta salarial dos servidores. O Ministro entendeu ser desnecessário, alegando que “papel acaba ficando engavetado no MPOG”.

As entidades deixaram claro que outros ministros assim o fizeram, inclusive citando o exemplo do Ministério da Agricultura, que levou a pauta dos servidores "debaixo do braço" e hoje as carreiras desse ministério que cuida das políticas agrícolas, e é bem visto pelo agronegócio brasileiro, encontram-se comparativamente em situação bem melhor, ganhando o dobro, e em alguns casos o triplo de um servidor do MDA e Incra com cargo, funções e escolaridade equivalente.

Além disso, foi cobrada sua participação na reunião com o MPOG. O ministro disse que vai avaliar com o MPOG a necessidade da participação de representantes do MDA e que mesmo que haja participação, a posição será a mesma do Governo, isto é, não estarão ao lado dos servidores. Após a reunião, que também ocorreu em clima tenso, restou dúvida se enviaria ou não o Aviso Ministerial. A assessoria ficou de comunicar as entidades se o Ministro irá ou não formalizar o apoio aos servidores, contudo até agora sem resposta.

Almir Cezar Filho é economista e servidor do Ministério do Desenvolvimento Agrário, diretor da ASSEMDA, coordenador da CSP-Conlutas no Distrito Federal e militante do PSTU




segunda-feira, 16 de abril de 2012

Combater politicamente as ameaças aos estudantes e o conteúdo de crime de ódio contra mulheres, negr@s e LGBTs

Por Lucas Brito, estudante de Serviço Social em nome do coletivo Há Quem sambe Diferente!

Veja a Notícia no Blog do Coletivo Há Quem Sambe Diferente
As ameaças continuam.

Mesmo com a prisão de suspeitos, as ameaças contra estudantes da Universidade continuam. As ameaças são de crime de ódio contra homossexuais, mulheres e negr@s. As mensagens incluem estudantes de Ciências Sociais e militantes de partidos políticos, que seriam, também, alvos de um suposto plano de atentado.

Em uma das ameaças chegaram a dizer que seria “impossível que todas as mochilas ou lixeiras fossem revistadas”. No final dessa semana a situação foi agravada com a ameaça de que no dia 12, quando completaria 15 dias de um suposto atentado ocorrido em uma festa em Ceilândia e reivindicado pelo grupo do site silviokoerich, o atentado se repetiria na UnB com @s estudantes de Ciências Sociais. Entre o dia 12 e a madrugada do dia 13 a Polícia Federal teria identificado ameaças de atentado à bomba. A Reitoria anunciou um reforço no policiamento da universidade e na manhã da sexta-feira o clima foi de apreensão. Várias aulas foram suspensas, alguns departamentos cancelaram suas atividades, forte movimentação policial e muitas informações não confirmadas.

Vale lembrar que a Polícia Federal tem provas que indicam que Emerson e Marcelo planejavam um massacre a estudantes da Universidade de Brasília, chegando a desenhar um mapa para a ação. Os dois contavam com apoiadores – no Twitter, sua conta possuía mais de 1.800 seguidores –, além de uma conta bancária com R$ 500.000 para financiá-los. Tudo leva a crer que Emerson e Marcelo não estão sozinhos.


Ameaças e incitação ao ódio não são novidade na UnB.






Já em 2005, um dos suspeitos presos já incitava o ódio contra negros nas redes sociais. Então estudante de letras japonês da UnB o Marcelo Valle criticava o sistema de cotas dizendo que “lugar de negro não é na universidade”. Em 2009 ele foi processado e condenado por racismo, cumprindo a pena em liberdade.

No final do semestre passado um dos temas centrais em debates e conversas nos corredores era a ausência de segurança ao conjunto da comunidade universitária. Casos de estupros, roubos de carros, sequestros relâmpagos e os corriqueiros furtos e assaltos são parte da insegurança vivida nos meses de volta ás aulas. Mesmo antes das recentes ameaças o clima de insegurança já existia, o que se agrava profundamente agora. É importante também lembrar que em 2010 já tivemos um caso de ameaças de crimes de ódio a uma estudante que participou de uma marcha contra a homofobia. Na ocasião os suspeitos seria neo-nazistas e a UnB manteve o silêncio.

A ausência de seguranças suficientes, a falta de iluminação, reduzidas linhas de transporte e a inexistência de um transporte circular são elementos que agravam a situação de insegurança. Hoje os seguranças são todos patrimoniais e a Reitoria ainda prepara uma demissão em massa de trabalhadores terceirizados, que acabam que são responsáveis pela segurança da universidade.


Combater politicamente as ameaças de crime de ódio contra mulheres, negr@s e LGBTs!




Diante de mais essa atitude de incentivo ao ódio é fundamental que o movimento estudantil – centros acadêmicos, DCE, executivas de curso e demais entidades; sindicatos da cidade e da universidade, grupos organizados de combate ao machismo, racismo e homofobia, demais organizações da comunidade universitária e do DF tem a tarefa de declarar o seu repúdio às ameaças.

Os milhares de casos de violência e morte de mulheres, a impunidade que os cerca, a insuficiência da lei, a desigualdade imposta à mulher em relação ao homem no trabalho e no acesso a direitos, tudo isso é fruto da sociedade em que vivemos. Assim como os inúmeros casos, divulgados/contabilizados ou não de agressões e discriminação contra LGBTs e o racismo velado, por vezes institucionalizado, que submete metade da população a uma vida de discriminação e dificuldade de acesso a direitos e submetidos, muitas vezes, a violência policial ou pelo tráfico nas favelas. As opressões são parte do dia a dia da sociedade brasileira.

A única possibilidade de impormos uma derrota às opressões é por meio da luta organizada e sistemática. Não podemos deixar que casos como os que estão ocorrendo na UnB não sejam respondidos politicamente pelo movimento organizado e por todo o conjunto de estudantes.


Nos corredores da universidade o que deve ser marcante não podem ser o medo e a apreensão. Não podemos deixar que isso altere e reprima a convivência dos centros acadêmicos. Os grupos de combate às opressões não podem se sentir acuados em convocar suas reuniões e planejar suas atividades. O movimento não pode parar. Em momentos como esse nossa fortaleza reside na unidade do movimento e na organização do mesmo. O que deve marcar os corredores da UnB é a declaração organizada de que não iremos nos abalar. Com muita serenidade iremos exigir medidas emergenciais de segurança, além de lutar por um plano de segurança efetivo e permanente. Vamos mostrar a UnB é feita de pessoas que repudiam as ameaças assim como o conteúdo de ódio. Só com muita luta poderemos mostrar que ameaçar mulheres, LGBTs e negr@s da UnB é ameaçar o conjunto da população brasileira e que esses setores que fazem do seu dia a dia um exemplo de superação de inúmeras formas de violência não se dobrarão.

Carta a(o)s LGBTTTs da UnB

As ameaças que todos nós estamos sofrendo não é novidade para ninguém. Há anos sabemos que existem neonazistas em Brasília, o próprio Correio Brasiliense afirmou que eles estão presentes em nossa cidade há 30 anos. Todavia, as coisas tomaram outras proporções, nossa Universidade está mantendo suas atividades sob medo e desconfiança mesmo a pós a prisão do ex estudante Marcelo.

Várias atitudes têm sido tomadas, muitas delas controversas. Sabemos que na hora do caos as autoridades legitimam o uso da violência sem escrúpulos para manter a chamada “ordem”. A pergunta que nos fica, e agora? Quem irá nos proteger e tomará as atitudes cabíveis? O Chapolin Colorado que não vai ser, ou a reitoria, e muito menos a polícia homofóbica, machista e racista. É chegada a hora de relembrarmos Stonewall e o movimento LGBTTT combativo, que não se calou diante do medo. Nós fazemos a nossa própria história, vamos virar o jogo contra a homofobia, vamos mostrar que @s sexo diversos da UNB, não vão se calar e nem se amedrontar diante dessas ameaças. Convoco a tod@s para participarem de uma reunião extraordinária no mezanino norte nesta quarta feira, 15/04/2012 as 12 h.

Não tomar nenhuma atitude nesse momento é favorecer o mais forte, e achar que nada vai acontecer, que são apenas ameaças que nos cercam, são atitudes irresponsáveis e de pouca compreensão da conjuntura que vivemos. As falas de Silvio Koerich (o blog que continua ameaçando um atentado contra os LGBTTT) alimentam o ódio, dialogam e reafirmam a expressão dominante do pensamento homofóbico de nosso país. 

Vivemos num país em que a homofobia não é crime, pelo ao contrário, é socialmente aceita e legitimada pelas instituições de poder. A homofobia nesse país é organizada, a “marcha pela família” contra a PLC 122 conseguiu movimentar um contingente muito maior do que a “marcha contra a homofobia”. Não é momento de ficar de mãos cruzadas, se conseguimos fazer a maior parada gay do mundo, se conseguimos aglutinar vários sexo diversos em shows, happy hours, festas e casas noturnas, também podemos levar nosso seguimento á luta para transformar esta sociedade que está na barbárie. Se Harvey Milk nos disse para darmos esperanças, está na hora de darmos ações combativas!
 
PS: Como a reunião é no horário do almoço sugiro que não se atrasem e que tragam alimentos para um lanche coletivo.

por Hyago Brayhan Pires Batista

segunda-feira, 26 de março de 2012

Homens presos por planejar massacre na UnB ameaçaram PSTU

FRANKLIN RABELO DE MELO, DA JUVENTUDE DO PSTU-BRASÍLIA 



Na manhã da última quinta-feira, dia 22 de março, foram presos na capital paranaense Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello, administradores do site silviokoerich.org. O site recebeu cerca de 70 mil denúncias de “conteúdo abusivo” na página safernet.org, responsável por recolher reclamações de internautas relacionadas com abusos na rede. 

A página de Emerson Rodrigues e Marcelo Valle ficou famosa por incitar o ódio contra negros, judeus, homossexuais, mulheres e comunistas, além incentivar a pedofilia e o estupro corretivo a mulheres lésbicas, o que gerou repúdio e comoção dos internautas em todo o país. Os dois gabavam-se, dentre outras coisas, por terem uma suposta relação com o atirador Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre de Realengo, ocorrido em 2011 e que matou 12 crianças, de idade entre 12 e 14 anos.

Na penúltima postagem do site antes deste ser fechado, era possível ler a seguinte mensagem: “A cada dia que se passa fico mais ansioso, conto as balas, sonho com os gritos de vagabundas e esquerdistas chorando, implorando para viver. Vejo o sangue para tudo quanto é lado, manchando uma camiseta com o logotipo do PSOL/PSTU”.

A Polícia Federal tem provas que indicam que Emerson e Marcelo planejavam um massacre a estudantes da Universidade de Brasília, chegando a desenhar um mapa para a ação. Os dois contavam com apoiadores – no Twitter, sua conta possuía mais de 1.800 seguidores –, além de uma conta bancária com R$ 500.000 para financiá-los. Tudo leva a crer que Emerson e Marcelo não estão sozinhos.

Expressão de uma sociedade doente
Antes de tudo, é preciso ter claro que monstros como Emerson e Marcelo são o produto mais podre de uma sociedade doente, e o fato destes contarem com seguidores atesta que não se trata de casos isolados, mas sim de uma patologia social. A sociedade capitalista, ao reproduzir ideologias como o machismo, o racismo e a homofobia a fim de garantir a superexploração de certas camadas da classe trabalhadora, é a base para a existência de grupos neonazistas e ultrarreacionários que pregam o ódio contra as “minorias”. 

Os assassinatos de LGBT’s, o racismo disfarçado da grande mídia e a criminalização dos movimentos sociais pelos governos são elos de uma cadeia de opressão e exploração, que não começa e nem termina com o caso de Emerson e Marcelo. Muito pelo contrário. A mutilação do PLC 122 e do Estatuto da Igualdade Racial; a falta de investimentos em políticas concretas de combate ao machismo, como a Lei Maria da Penha; os ataques dos governos aos movimentos sociais, como no caso do Pinheirinho e das greves que ocorreram este ano: tudo isso contribui para que exista um sentimento de impunidade, que permite a ação de grupos e indivíduos como Emerson e Marcelo.

Omissão da justiça e da Reitoria da UnB colocaram estudantes em risco
Marcelo Valle não é um desconhecido da Universidade de Brasília. Já em 2005 incitava o ódio contra os negros nas redes sociais, criticando o sistema de cotas e afirmando que “lugar de negro não é na universidade”. Na ocasião, foi denunciado por um estudante no Ministério Público. Chegou a ser processado e condenado em 2009, mas recorreu da decisão e não chegou a passar uma noite na cadeia. Todavia, continuou ameaçando os estudantes da instituição através de telefonemas e e-mails. Luiza Oliveira, estudante de Ciências Sociais e ex-militante do PSTU, foi ameaçada dentre outras coisas de estupro corretivo. “Ele ameaçou me estuprar, me xingou. Guardei todas as postagens dele impressas” , afirma Luiza.

Por outro lado, o clima de insegurança dentro da UnB reforça o medo de estudantes, professores e funcionários. O campus Darcy Ribeiro, que é o maior entre os quatro campi da universidade, é muito mal iluminado, tem poucas linhas de ônibus – o que obriga os estudantes a andarem a pé até a via mais próxima, que fica a centenas de metros – além de não contar com um contingente de seguranças apropriado. Os poucos seguranças da universidade são patrimoniais, ou seja, são treinados para defender o patrimônio material da universidade, e não a vida das pessoas. Todo semestre ocorre pelo menos um estupro nas imediações do campus Darcy Ribeiro, e a presença da polícia militar na área não diminui o número de ocorrências.

Como se não bastasse, recentemente a Reitoria da UnB anunciou uma demissão em massa de trabalhadores terceirizados, afirmando que graças à expansão via Reuni a universidade estava sendo subfinanciada, e que era preciso “cortar gastos” demitindo esses trabalhadores. A Reitoria ignora os lucros exorbitantes das empresas terceirizadas, e ao invés de propor a redução desses lucros prefere mandar centenas de pais e mães de família para a rua. Entre os terceirizados, os porteiros serão as maiores vítimas das demissões. Em outras palavras: em um momento crítico de insegurança na UnB, é anunciada pela Reitoria a demissão de trabalhadores responsáveis pela segurança do campus.

Um militante do PSTU, que é trabalhador terceirizado, convive diariamente com ameaças de todos os tipos, como resposta a seu papel na organização e liderança da categoria. “Já fui agredido fisicamente e inclusive ameaçado de morte. A Reitoria tem conhecimento da situação, mas até agora não fez nada”, diz Francisco.

Combater as opressões, garantir a segurança da comunidade universitária!
O PSTU é um partido reconhecido nacionalmente pela luta contra toda forma de opressão, seja ela de gênero, raça, etnia, orientação sexual ou de classe. Orgulhamo-nos de levantarmos bem alto a bandeira de todos os oprimidos pela construção de uma sociedade igualitária, apesar de vivermos em uma época de clara degeneração moral. Não é a toa que todos os inimigos da classe trabalhadora e dos setores oprimidos da sociedade sempre buscam atacar nossa organização, como é o caso de Emerson Rodrigues e Marcelo Valle, que afirmaram o desejo de ver nossas camisetas “manchadas com sangue”. Longe de nos intimidarmos, continuaremos firmes na luta por um mundo livre da barbárie produzida pela sociedade capitalista, um mundo socialista.

Exigimos da Reitoria da UnB e dos poderes públicos medidas concretas de segurança para os estudantes da universidade. Seria ingenuidade pensar que Emerson Rodrigues e Marcelo Valle estão sozinhos, como atestam os comentários em seu blog e os R$ 500.000 achados em sua conta bancária. A prisão dos dois é um passo importante, mas de forma alguma garante a segurança da comunidade universitária da UnB. Exigimos a contratação de mais seguranças, maior iluminação no campus, ampliação das linhas de ônibus que passam na UnB e a não demissão dos trabalhadores da portaria.


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quarta-feira, 21 de março de 2012

Lançamento do livro "Um Reformismo Quase sem Reformas" em Brasília


 
A editora José Luis e Rosa Sundermann realiza em Brasília o lançamento do livro Um Reformismo Quase sem Reformas: Uma critica marxista do governo Lula em defesa da revolução brasileira na sexta-feira dia 30 de março, na Sebinho Livraria Café e Bistrô, a partir das 18h30, com a presença do autor Valério Arcary.

O mais novo livro de Valério Arcary possui dez ensaios que foram escritos em diferentes momentos e oportunidades ao longo dos dois governos de Lula. Remetem, apesar de explorarem ângulos distintos, a um tema comum: uma análise crítica do significado do governo Lula desde um ponto de vista revolucionário e internacionalista, ou seja, marxista. O fio condutor de todos os artigos é a compreensão do governo Lula como um governo de conciliação de classes, a serviço do grande capital nacional e internacional. Ao abordar diferentes aspectos da vida econômica, política e social do país ao longo dos últimos oito anos, Arcary demonstra como as pequenas modificações reformistas introduzidas por Lula tiveram, na verdade, como único objetivo a manutenção da propriedade privada e da ordem capitalista.

A Livraria Sebinho se encontra na Asa Norte, SCLN 406 Bloco C, loja 44, em frente à UnB.

Visite o Site da EditoraSundermann!

Em nome do ajuste fiscal, Governo Dilma privatiza a previdência dos servidores

Tramita em regime de urgência no Senado, após ter sido aprovado na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 1992/2007, que estabelece o Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público Federal, chamado ‘Funpresp’. É a finalização da reforma da Previdência iniciada por Lula em 2003 e que, na prática, acaba com a aposentadoria integral do funcionalismo público.

Pelas novas regras, a aposentadoria do setor terá o mesmo teto do INSS, hoje em R$ 3.916,20. Para o servidor se aposentar com o mesmo vencimento que recebia na ativa, caso receba acima desse limite, terá que contribuir com um fundo de previdência privado. O projeto possibilita a criação de três fundos, um para cada poder da União. Funcionarão, na verdade, como planos de previdência privada, em regime de capitalização, e terão seus recursos investidos no sistema financeiro para garantir rendimentos.

A fim de justificar a urgência do projeto, o governo Dilma ressuscitou a velha falácia do ‘déficit’ da Previdência. O ministro da Fazenda Guido Mantega foi mais claro e, durante as conversas com os senadores para agilizar a votação, afirmou que a aprovação da Lei seria um ‘bom sinal’ ao mercado diante da crise internacional. Pode-se concluir, assim, que mais esse ataque à Previdência pública e aos servidores faz parte da política de ajuste fiscal imposta pelo governo Dilma, a mesma política que determinou o corte recorde de R$ 55 bilhões do Orçamento no início do ano e que vem achatando os salários da categoria.

Privatização da Previdência
Após privatizar os principais aeroportos do país e já indicar a concessão dos portos, o governo do PT está prestes a privatizar a Previdência pública dos servidores. É isso o que está por trás de tantos eufemismos. O fundo terá caráter privado. Os recursos vindos da contribuição do governo e dos trabalhadores serão administrados por uma empresa e aplicados no sistema financeiro, em um modelo de Previdência já implementado no Chile pelo ditador Augusto Pinochet, durante a primeira fase do neoliberalismo.

O governo, por sua vez, ‘economizará’ com a medida, no longo prazo, liberando mais recursos para o pagamento dos juros da dívida pública à agiotagem internacional e os lucros dos bancos. Além disso, terá em suas mãos fundos com bilhões de reais, uma vez que o governo vai indicar os cargos de direção desses fundos. Estima-se que em alguns anos os recursos da Funpresp superem os da Previ, o fundo dos trabalhadores do Banco do Brasil e atualmente o maior fundo de previdência complementar do país. Vale lembrar que os recursos dos fundos de Previdência foram utilizados pelo governo FHC para privatizar estatais, como a Vale do Rio Doce.

Aos trabalhadores do setor público, além da perda da garantia da aposentadoria integral, resta a insegurança do fundo privado de capitalização que, como todo investimento financeiro, pode perder-se em instantes no repique de alguma crise ou algum investimento mal-feito. Ou ser desmantelado em toda sorte de desvios e corrupção.

Por sucessivas vezes o governo FHC tentou aplicar esse projeto aos servidores, mas foi vencido pela mobilização da categoria. O PSTU , assim como esteve contra a reforma da Previdência em 2003, coloca-se ao lado dos servidores públicos e das entidades sindicais que lutam contra esse projeto e exige do Governo Dilma a imediata suspensão do PL. É necessário que os funcionários públicos em campanha salarial incorporem essa reivindicação à sua luta.

Direção Nacional do PSTU

sábado, 17 de março de 2012

Unificar as lutas dos trabalhadores do DF para derrotar o arrocho salarial de Agnelo!

Para os trabalhadores que acreditavam que o governo Agnelo mudaria a nossa cidade e governaria para os trabalhadores, o anúncio do congelamento salarial para todos os servidores públicos do DF foi um banho de água fria. No entanto, não é novidade um governo do PT arrochando o funcionalismo público, Dilma desde o início de seu mandato vem impondo uma política de cortes nas áreas sociais e congelamento salarial. As medidas de austeridade fiscal anunciadas por Agnelo revelam que seu compromisso é com os grandes empresários, e não com os trabalhadores.

O governo do DF, nesse ano, conta com o maior orçamento de sua história, cerca de 28 bilhões. Houve aumento tanto das fontes de arrecadação própria, quanto do repasse do fundo constitucional em 13,8%. Além do mais, o DF tem o maior PIB per capita do país (R$ 50.438,56), mostrando que a falta de dinheiro não justifica a política de arrocho salarial anunciada pelo governo. Então porque o governo quer arrochar os vencimentos dos servidores?

Agnelo tenta justificar que em função da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), não pode conceder aumento para os servidores públicos, tendo em vista que essa lei limita o gasto com a folha de pagamento. O que Agnelo não explica para a população é que boa parte dos recursos com a folha de pagamento do DF é destinado a pagar os comissionados (35 milhões mensais), que já somam mais de 14 mil cargos. Agnelo anuncia um corte em 10% nos salários dos membros do alto escalão, mas não fala que há um ano atrás esses mesmos cargos tiveram um aumento de mais de 100% dos vencimentos.

Na verdade, Agnelo ataca os servidores públicos para privilegiar o loteamento do estado entre os partidos da base governista e seus apadrinhados, e também para aprofundar o processo de terceirização e privatização. Por isso o governo já anunciou que vai privatizar a gestão das 13 UPAs (unidades de pronto atendimento), ao invés de convocar os aprovados no concurso da secretaria de saúde em 2011. Agnelo também se recusa a convocar os aprovados no último concurso da secretaria de educação, enquanto as escolas sofrem com a falta de professores. Em relação aos cargos comissionados, o governo se propõe somente a mudar o regime de contratação de parte desses cargos, via terceirização.

A greve dos metroviários e o processo de repressão e criminalização às lutas sindicais
No início desse ano os metroviários protagonizaram uma luta histórica, a mais longa greve de uma categoria metroviária do país, e enfrentaram uma brutal intransigência de Agnelo. O governo, além de ter se recusado a negociar, pediu várias vezes na justiça a ilegalidade da greve e foi derrotado. Depois de perceber que a justiça do trabalho iria beneficiar os metroviários, o governo partiu para um processo de criminalização da categoria, culpando os trabalhadores pelas panes e problemas no sistema operacional do metrô. A empresa abriu dezenas de processos administrativos e abriu inquérito policial acusando os trabalhadores de sabotagem.

A greve dos metroviários revelou para todo o movimento sindical como o Agnelo vai tratar as greves e as lutas sindicais da cidade. Por isso, é fundamental que os sindicatos e as categorias cerquem de muita solidariedade todas as greves e lutas do movimento sindical e popular, ajudando os lutadores a vencer a truculência do governo. Também será fundamental para trazer vitórias as categorias, unificar as lutas do DF, fortalecendo as reivindicações e enfraquecendo a intransigência de Agnelo.

Entretanto a CUT, que deveria estar ao lado dos trabalhadores e ser um exemplo de solidariedade de classe para todas as categorias do DF, não soltou sequer uma nota de apoio aos trabalhadores do metrô, ajudando o governo a tentar jogar a população do DF contra os metroviários.

Desde já, PSTU-DF expressa sua solidariedade aos professores da rede pública de ensino, em greve desde 12 de março, que protagonizam uma luta muito importante contra a política de arrocho salarial de Agnelo. Todas as categorias do DF devem seguir o exemplo dos professores, somente a mobilização dos trabalhadores pode vencer a intransigência do governo do PT.
  • Lutar é um direito, não aceitaremos a truculência do governo!
  • Pela unificação das lutas e campanhas salarias!
  • Todo apoio a luta dos servidores públicos do DF contra o arrocho salarial de Agnelo!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Neste 8 de março, sair às ruas em defesa das trabalhadoras

Ana Pagamunici - Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU

• Chega o 8 de março e as lojas se pintam de lilás, oferecem flores, fazem promoção de eletrodomésticos, sorteiam sessões no cabeleireiro e a data parece nem se referir a um dia de luta das mulheres. A verdade é que esse dia nada tem a ver com comércio e presentes, e só existe porque foi uma conquista das mulheres lutando ao lado dos trabalhadores para modificar esse sistema.

Nesse processo, elas tiveram muitos avanços, como o direito ao divórcio, ao voto, ao casamento civil entre outros. Mas ainda há muito que se conquistar. Os dados brasileiros chocam. Apesar de elas estarem cada vez mais no mercado de trabalho, ainda recebem 30% a menos do que um homem para fazer os mesmos serviços, e são as que tem menos direitos sociais e os menores salários. Quase 10 a cada dia morrem vítimas do machismo, de um sistema de saúde que não lhes garante o direito ao aborto, e sofrem com a falta de creche e a falta de moradia.

Não basta ser mulher
Essas dificuldades continuaram no país, mesmo com a eleição da primeira mulher à presidência. Isso porque mudou a figura do governante, mas não a forma de governo, que continua privilegiando os ricos e explorando os trabalhadores. Uma mulher no poder, para defender uma trabalhadora, precisa romper as alianças com a burguesia, não retirar dinheiro de áreas sociais, não privatizar os serviços públicos, aumentar os salários, investir em saúde, construir creches e ter um governo aos que mais necessitam.

Hoje, Dilma faz exatamente o contrário e com isso não defende as trabalhadoras, porque não governa para todas as mulheres, mas para atender os interesses da burguesia e dos setores conservadores. Assim, apesar de ser mulher, não defende as trabalhadoras. Os problemas por elas enfrentados denunciam isso.

Pelo Direito à moradia
Um fato marcou este início de ano: a invasão da polícia ao bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos-SP. O que foi visto chocou: inúmeras mulheres com crianças, correndo para tentar escapar das balas de borracha e do gás lacrimogêneo. O que não se viu também: dois estupros cometidos por soldados da ROTA (divisão da polícia) durante a mesma invasão. Tudo para expulsar os moradores do bairro, destruir suas casas e entregar ao terreno ao bandido Naji Nahas. O governo federal, apesar de condenar a ocupação, não tomou medidas efetivas para desapropriar o terreno. Os moradores seguem sem ter para onde ir.

O caso do Pinheiro trouxe à tona dois graves problemas em nosso país: a criminalização da pobreza e a falta da moradia. Em ambos as mulheres são as que mais sofrem. Isso porque, elas são as que menos possuem direitos sociais assegurados e as que estão mais expostas à violência do Estado. A falta de moradia já é uma forma violenta de tratar os trabalhadores. O uso da violência física e sexual financiadas com dinheiro público para expulsá-los de lá é um crime ainda maior.


A mortalidade materna é um dos graves problemas no Brasil. É uma das principais causas de morte no país e vitima principalmente as mais jovens. Um dos graves problemas é o aborto clandestino, que mata ou deixa com seqüelas cerca de 150 mil cada ano.

Alegando encontrar uma medida para resolver o problema, a presidente Dilma Roussef apresentou a Medida Provisória 557 como um incentivo ao pré-natal e um controle das grávidas. Essa medida prevê uma ajuda de custo para o deslocamento durante o pré-natal e R$50,00 para o deslocamento no dia do parto. Não é uma medida nova, programas como esse já foram implantados pelo PSDB em São Paulo, “Mãe Paulistana” e Curitiba, “Mãe Curitibana”. Em contrapartida, todas as mulheres que chegarem à unidade de saúde com suspeita de gravidez serão incluídas em um cadastro.

Essa MP é uma porta de entrada para criminalizar as mulheres e, ao contrário do que diz, não resolve o problema da falta de amparo à maternidade, porque não prevê investimento para construção de hospitais ou melhoria de atendimento à população para garantir a maternidade. Além disso, está contra todos os avanços do SUS no atendimento integral às mulheres, uma conquista da década de 1980.

O problema da mortalidade materna só pode ser resolvido com a construção de hospitais nas periferias, para que as mães não precisem de transporte para o dia do parto, com mais investimentos na saúde. E também com educação sexual e anticoncepcionais gratuitos e sem burocracia nos postos de saúde e a legalização do aborto, porque muitas mortes poderiam ser evitadas caso a interrupção da gravidez fosse feita em hospitais públicos, com segurança.

Pelo direito ao trabalho e à educação dos filhos
O Anuário de mulheres do DIEESE publicado em 2011 mostrou que a falta de creches é o principal problema para as mulheres conseguirem um emprego ou permanecerem empregadas. E também um grave problema de exclusão das crianças do sistema educacional, pois menos de 20% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas em creches em nosso país. Somente as crianças cujos pais podem pagar uma creche é que tem o direito assistido, já que o Estado não prevê garantias para elas. Hoje, há mais de 70 mil crianças sem poder freqüentar uma creche por falta de políticas e investimento em educação.

O Fim da Violência
A violência contra a mulher é grave em nosso país. A cada dia mais, assistimos cenas bárbaras de estupros nos meios de transporte, mortes por ciúmes, por não querer se relacionar. A cada 2 horas, uma mulher é morta. A Lei Maria da Penha não tem sido suficiente para resolver esse problema. Apesar de ser um passo diferente do Código Penal para abordar a problemática, não saiu do papel até hoje porque não se investiu na aplicação da Lei. Isso porque a Lei não prevê a obrigatoriedade de investimentos para construção de casas-abrigo, delegacias, centros de referência e outros.

O Superior Tribunal Federal ampliou recentemente o poder da lei, permitindo que todos possam denunciar um caso de violência contra a mulher, o problema é que sem investimento acabará em letra morta e as mulheres continuarão morrendo. Mas mesmo que a Lei Maria da Penha fosse aplicada não acabaria com todos os problemas, porque parte do combate à violência depende de investimentos em áreas essenciais, como moradia, saúde e educação.

Neste 8 de março, o PSTU sai às ruas para denunciar e exigir do governo Dilma Roussef:


Imediata desapropriação do Pinheirinho e a devolução das terras aos moradores

Punição severa a todos os envolvidos nos casos de estupro do Pinheirinho!

Pela revogação da MP 557!

Anticoncepcionais para não abortar. Aborto legal, seguro e gratuito para não morrer!

Investimento de pelo menos 6% do PIB na saúde

Licença-maternidade de 6 meses, sem isenção fiscal, rumo a um ano.

Construção imediata de 70 mil creches públicas, gratuitas e de qualidade!

Investimento de 10% do PIB para educação

Investimentos para coibir a violência contra a mulher. Aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha!

Salário Igual para Trabalho Igual!

Para acabar com o machismo e a exploração, o socialismo é o caminho!
O capitalismo tenta demonstrar que as mulheres conquistaram seu espaço e que o machismo não existe mais. Isso é uma grande mentira. As mulheres continuam sofrendo a cada dia com a exploração e com a opressão que sustentam esse sistema. A crise internacional e os seus efeitos contra os trabalhadores e trabalhadoras vem demonstrando cada vez mais isso. Para mudar a situação, é necessário construir uma sociedade sem que ninguém necessidade explorar ou oprimir ninguém, uma sociedade socialista. Somente nela, as mulheres poderão ter seus direitos assegurados e se libertar da opressão!

Saiu o Opinião Socialista Especial sobre o 8 de Março!

• Na década de 1920, a artista plástica Tarsila do Amaral traduziu em arte a diversidade da classe trabalhadora. Em uma de suas obras mais famosas, a pintora brasileira desenhou “Os operários”. No belíssimo quadro, coloca lado a lado homens, mulheres, negros e brancos de diferentes nacionalidades. E, ao fundo, uma fábrica. Eles aparecem unidos contra a uniformização da esteira de produção. E, na confraria dos explorados, revelam o colorido da diversidade dos trabalhadores brasileiros.

A ideologia do “mundo globalizado” pretende nos convencer de que, na democracia burguesa, todos são iguais porque todos, supostamente, teriam os mesmos direitos perante a lei e que as diferenças não são relevantes. Contudo, os próprios capitalistas sabem muito bem que isso não é verdade. Fazem o discurso da igualdade, mas utilizam as diferenças para beneficiar o sistema e garantir seus lucros, transformando-as em desigualdades.

As mulheres, cada vez mais inseridas na produção social, são metade de toda a classe trabalhadora. Por serem diferentes, tem demandas específicas que precisam ser levadas em conta e transformadas em palavras de ordem de luta e resistência. E, hoje, elas não estão representadas pela presidente Dilma, que apesar de ser mulher, governa contra as trabalhadoras, em favor dos patrões.

As trabalhadoras são aliadas dos trabalhadores. Somente juntos podem ser vitoriosos na luta por melhores condições vida. O machismo, que tenta nos dividir e é sistematicamente utilizado para aumentar os lucros e fortalecer o capitalismo, perde força quando combatido por ambos, mulheres e homens.

Por isso, é urgente que o movimento dos trabalhadores socialistas resgate sua tradição: incorporar as demandas dos setores oprimidos como parte da luta dos explorados. O PSTU se preocupa seriamente com isso. E, por ocasião do “8 de Março”, Dia Internacional de Luta das Mulheres trabalhadoras, lança esta edição especial do Opinião.

Aqui, você vai encontrar nosso programa, artigos teóricos e reportagens que revelam a realidade da mulher trabalhadora e a atualidade e importância da unidade da classe. Esperamos que o Opinião Socialista contribua como uma ferramenta para essa luta.

Afinal, se a vida imita a arte, o quadro de Tarsila pode ser uma boa ilustração do que precisamos!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

DF: Contra a criminalização dos metroviários


Após uma longa greve, o governo Agnelo Queiroz (PT) tenta incriminar os metroviários com a acusação fraudulenta de sabotagem para intimidar demais categorias em luta na cidade


jornal opinião socialista
ANA BEATRIZ E ALMIR CEZAR, DE BRASÍLIA (DF)
 

• Nos últimos dias tem havido uma série de notícias sobre seguidas falhas do sistema de metrô que a empresa, o governo do DF e a Polícia Civil, vêm apontando como provocados por suposta sabotagem orquestrado pelos próprios funcionários. 

Tais falhas colocam em risco a vida de milhares dos usuários e causa a indignação na população em geral. Tentam ligar esse fato à última greve da categoria, que durou 37 dias e enfrentou a intransigência do Governo Agnello. O sindicato dos trabalhadores do metrô nega essas acusações, e aponta a verdadeira causa dos defeitos: os anos seguidos de baixo investimento, precariedade no serviço de manutenção e restrição de pessoal especializado.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Nota SINDMETRO sobre panes no sistema

Nota sobre panes causadas por suposto plano de sabotagem no Metrô/DF, vinculado em meios de comunicação em 13 de fevereiro de 2012.

Sobre as notícias veiculadas em meios de comunicação sobre panes causadas por possível plano de sabotagem no Metrô-DF, o Sindicato dos metroviários afirma que não tem nenhum envolvimento com o suposto plano de sabotagem, defende que seja feita a apuração dos fatos mencionados e repudia qualquer tentativa de vinculação do movimento de greve com as panes no sistema. O Sindmetrô/DF trabalha dentro da legalidade e postula que o exercício do direito de greve pelos trabalhadores é a manifestação máxima de sua indignação com a empresa. Os limites dessa manifestação são definidos em lei.
As panes nos sistemas de sinalização, elétrico e mecânico do Metrô/DF são causadas por ineficiência e ausência de fiscalização nos contratos de manutenção terceirizada. Estas já foram motivo de inúmeras denúncias por parte do Sindicato. As panes infelizmente ocorrem quase que diariamente, e sua existência apesar de absurdas, já são tidos como corriqueiras por quem pega o Metrô todos os dias. A direção do Metrô/DF parece tentar encontrar uma justificativa para a ineficiência dos serviços de manutenção terceirizada em um suposto “plano de sabotagem”.
A manutenção do Metrô é absurdamente ineficiente, ilegal, cara e gera inúmeros prejuízos à população. Inclusive os trabalhadores metroviários, por diversas vezes, fizeram greve para que ocorram melhorias na precária manutenção do Metrô/DF. Cabe ressaltar que a manutenção é feita por em média 300 empregados terceirizados, estes serviços custam à quantia exorbitante de 126 milhões de reais (o dobro da folha de pagamento dos 1.200 empregados da Companhia), e a permanência de empregados terceirizados na manutenção ainda descumpre decisão judicial.
Mesmo depois de proferida decisão judicial de retorno de empregados concursados nas atividades de manutenção, o Metrô/DF insiste em descumprir a decisão da 7ª Vara do Trabalho, no processo nº 419 de 2004, para manter empregados terceirizados em área fim. Insiste ainda em descumprir acordo firmado entre Empresa e Ministério Público do Trabalho quanto ao retorno de concursados nas atividades de manutenção.
Sobre o fato ter sido encontrado cabos trocados na Estação Central, declaramos que nenhum empregado concursado é autorizado a manipular cabos, essa é uma atividade exclusiva de terceirizados. E se foi realmente alterado os cabos, esse efeito se daria somente na Estação Central, não nos 42 KM da via por onde ocorrerem várias panes em vários trens. Isso nos trás outras indagações: Se o problema foi uma sabotagem e foi resolvido, por que as panes não acabam? Por que hoje foram evacuados mais 2 trens por falhas de portas e tração? Por que hoje à noite Metrô opera com apenas com 20 dos 32 trens, e os outros estão parados na manutenção? O Metrô não está mais em greve e qual é a justificativa para tamanha ineficiência?
Ressaltamos que o comando de greve do Sindmetrô/DF cumpre integralmente a decisão judicial que determina a garantia de 30% dos serviços à população no período de greve, zela pela boa prestação dos serviços, atua no sentido de promover melhores condições de trabalho aos empregados e melhorias no transporte para a população. Fato que ficou evidenciado no julgamento do dissídio de greve, em que o movimento foi julgado LEGAL e não abusivo pelos 8 desembargadores do TRT. Nenhum ato que exceda esses limites determinados pelo Poder Judiciário recebeu ou receberá qualquer apoio por parte da direção deste sindicato.
Por fim, o Sindicato dos Metroviários reitera que não tem qualquer ligação com suposto plano de sabotagem, que todo o movimento de greve foi conduzido de forma legal, que cumpriu todas as determinações judiciais. Os metroviários reivindicam que o serviço desempenhado pela manutenção terceirizada retorne a ser público e assim de qualidade, conforme decisões judiciais proferidas. Repudiamos qualquer tentativa de vinculação do movimento de greve com estes fatos e solicitamos que sejam apuradas todas as irregularidades.

Metroviários e população juntos, por um Metrô público e de qualidade!

SINDMETRÔ-DF

domingo, 29 de janeiro de 2012

O assassino Alckmin ensaia um recuo parcial

O governo Alckmin está sofrendo um desgaste muito maior do que imaginava por seu ataque assassino contra os moradores do Pinheirinho. Neste momento, uma onda de indignação comove o país com as imagens da violência policial contra os moradores e a derrubada de suas casas. A truculência da polícia de Alckmin se soma à absoluta falta de proposta de encaminhamento para os moradores desalojados. O ataque da polícia foi minuciosamente planejado, mas o governo não tinha nenhum plano sobre o que fazer com duas mil famílias sem-teto. 

O movimento de repúdio se espalhou em atos contra o PSDB em todo o país. Neles, uma ampla unidade de ação se expressou, incluindo entidades de todas as colorações políticas, juristas, intelectuais, artistas. Vídeos da violência policial correm o mundo. Uma dupla de cineastas, ao receber um prêmio do governo de estado, leu um manifesto de repúdio à ação da polícia, demonstrando enorme coragem. Juristas fizeram manifesto de denuncia à OEA. Uma relatora da ONU para habitação repudiou o despejo. 

Seguramente o PSDB deve estar vendo o desgaste nas pesquisas de opinião, e que as coisas não evoluíram como previam. Então, os assassinos Alckmin e o prefeito Eduardo Cury anunciaram um plano de emergência habitacional para São José dos Campos (SP) em que prometem 5000 moradias, incluindo 1100 apartamentos para os moradores do Pinheirinho, além do aluguel social de R$ 500 por seis meses. 

Trata-se de um recuo parcial do governo Alckmin. Os apartamentos seriam construídos em 18 meses em terrenos bem distantes- Putin e Alto de Santana- e em número insuficiente para abrigar os desalojados. Além disso, querem manter o controle policial de tudo, mantendo a repressão sobre o movimento. No momento do anúncio de Alckmin, os moradores desalojados continuavam confinados em locais sob a mira de policiais com escopetas. Os assassinos do PSDB querem evitar a carapuça de barbárie social que já está sobre suas cabeças. 

Os moradores exigem que todos os desalojados sejam incorporados e que as casas sejam construídas no terreno do Pinheirinho. Querem também que seja o próprio movimento do Pinheirinho que controle todo esse processo. Que sejam punidos os responsáveis pela repressão brutal ocorrida, e se investigue a situação dos feridos e desaparecidos no confronto. 

Dilma: desaproprie o terreno do Pinheirinho
Enquanto isso, a presidenta Dilma Roussef declarava em Porto Alegre que a ação do PSDB em São José foi uma “barbárie”. Era uma resposta à mobilização em repúdio contra a violência policial no Pinheirinho que esteve presente em todo o Fórum Social Mundial que se realiza nessa cidade, inclusive em frente ao hotel em que ela se hospedava. 

Infelizmente, logo depois disse, segundo a imprensa, que: “apesar de discordar do que ocorreu, o governo federal não tem muito o que fazer, pois respeita as demais autoridades – no caso, o governo de São Paulo e a prefeitura de São José dos Campos, ambos comandados pelo PSDB, e a Justiça paulista.”

A maioria dos trabalhadores do país, inclusive dos moradores do Pinheirinho, votou em Dilma para presidente na esperança de ter um aliado no poder. Hoje Dilma é presidente e dispõe de duas enormes forças em suas mãos. A primeira é o poder de Estado, superior ao de qualquer governador e prefeito do país. A segunda é o apoio popular que segue sendo muito grande no término de seu primeiro ano de mandato. 

O governador Alckmin e o prefeito Eduardo Cury agiram em claro apoio ao bandido Naji Nahas, impondo a “barbárie” no Pinheirinho. Os moradores do Pinheirinho esperam uma resposta do governo Dilma que deveria se traduzir numa ação clara: a desapropriação do terreno para resolver o problema social das famílias desalojadas. 

A presidente tem o instrumento jurídico para tomar essa iniciativa, que é a desapropriação. O governo possuiu esta prerrogativa declarando-as áreas de interesse social. Tem, inclusive, argumentos claros porque a empresa de Nahas, proprietária do terreno, deve R$ 16 milhões só de impostos. Seus credores hoje são os governos. Na verdade, Nahas grilou esse terreno, e até mesmo essa “propriedade” é fraudulenta.

A desapropriação só desagradaria os ricos e poderosos, mas teria um enorme apoio popular, não só em São José dos Campos, mas em todo o país. Portanto, acreditamos que basta vontade política para realizar a desapropriação. Não se pode manter “respeitar” o assassino Alckmin, depois do que foi feito. Não é possível deixar a direita agir impunemente e apenas fazer declarações. É um precedente que não podemos permitir.

Esperamos que seja esse o sentido das declarações de representantes do Ministério das Cidades que na próxima semana verificarão áreas de São José que não tenham utilidade pública e pertençam à União, e que poderão ser destinadas aos ex-moradores da comunidade Pinheirinho.

Ricardo Boechat fala sobre a desocupação do Pinheirinho